Em um dos casos mais chocantes relacionados à estética caseira, uma mulher de 50 anos, residente na Coreia do Sul, ficou gravemente desfigurada após tentar realizar injeções caseiras com gordura retirada da própria cozinha, acreditando que o método seria uma alternativa ao botox. O procedimento — que envolveu o uso de óleo de cozinha usado — foi inspirado em vídeos vistos por ela em redes sociais.
Segundo relatos médicos, a mulher buscava reduzir rugas e “levantar” o rosto, acreditando que a aplicação de substâncias gordurosas poderia preencher linhas de expressão, como acontece com substâncias estéticas profissionais. No entanto, a prática resultou em uma infecção severa, que rapidamente evoluiu para necrose da pele facial — uma condição em que os tecidos literalmente morrem devido à falta de irrigação sanguínea.
Dez cirurgias para tentar reverter o dano
Após alguns dias com dores intensas, inchaço e febre, a mulher procurou atendimento médico de emergência. O diagnóstico foi alarmante: lesões profundas nos tecidos da face, com comprometimento de músculos e vasos. Ela foi imediatamente internada e passou por mais de 10 cirurgias reparadoras, que incluíram remoção de tecido necrosado, enxertos de pele e reconstrução parcial da face.
Embora tenha sobrevivido, a paciente ficou com cicatrizes permanentes e parte da musculatura facial comprometida, o que afetou sua capacidade de expressão e fala. Os médicos responsáveis pelo caso alertaram para o risco crescente de automedicação estética com base em conteúdos não verificados da internet.
Vídeos de “estética caseira” preocupam profissionais
Especialistas em dermatologia e cirurgia plástica afirmam que esse tipo de prática — que mistura desinformação, desespero por juventude e influências digitais — tem aumentado em diversos países asiáticos e também no Ocidente. Em muitos desses vídeos, produtos como clara de ovo, cola branca, vaselina, pasta de dente e até gordura animal são apresentados como “botox natural”, sem qualquer base científica ou médica.
“Substâncias como óleo de cozinha não são apenas ineficazes, mas altamente perigosas quando injetadas. O organismo reage com inflamação, infecção e necrose, podendo levar até à morte”, explica a dermatologista sul-coreana Kim Ji-Hyun, que atendeu o caso.
O governo sul-coreano chegou a emitir alertas oficiais sobre o uso de receitas caseiras perigosas, sobretudo após outros relatos envolvendo cola industrial, óleos essenciais e ácidos não autorizados em procedimentos domésticos.
Um alerta sobre os riscos do faça-você-mesmo
Esse episódio reforça a importância de buscar profissionais qualificados para qualquer procedimento estético e de não confiar cegamente em conteúdos virais ou influenciadores sem formação técnica. A mulher envolvida no caso revelou, em depoimento à imprensa local, que “achava que era inofensivo” e que “se sentia pressionada a rejuvenescer” devido ao padrão estético local.
O caso gerou comoção nas redes sociais e vem sendo usado em campanhas de conscientização sobre os riscos do uso indevido de substâncias cosméticas e os limites do chamado “faça você mesmo” na estética.
Mulher injeta gordura de cozinha no rosto achando que era botox
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