sábado, março 7, 2026
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Especialista explica por que o etanol de combustível é perigoso para consumo humano

Mesmo tendo a mesma fórmula química, o álcool de posto e o das bebidas seguem processos diferentes — e só um é seguro para o consumo

O álcool usado como combustível e o presente nas bebidas alcoólicas têm o mesmo nome e fórmula química: etanol (C₂H₆O). No entanto, apesar de idênticos na estrutura, o modo de produção e a pureza determinam se o resultado é vinho ou veneno.

De acordo com especialistas, o etanol das bebidas é obtido por fermentação natural e controlada, enquanto o combustível é produzido industrialmente, com foco em eficiência energética, não em segurança alimentar.

O processo natural das bebidas alcoólicas

Nas bebidas, o etanol é formado pela ação de leveduras que fermentam açúcares de frutas, cereais ou cana-de-açúcar. Depois, o líquido passa por destilação e purificação, eliminando impurezas e garantindo que o produto seja seguro para o consumo humano.

“O álcool das bebidas é resultado da fermentação natural. Após esse processo, ele passa por etapas de purificação que garantem a eliminação de substâncias tóxicas”, explicou Rodrigo Machado Martins, professor de Química do Curso Anglo.

O teor alcoólico varia conforme o tipo de bebida — cerca de 4,5% em uma cerveja, 12% em um vinho e até 40% em destilados — e é rigidamente fiscalizado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA).

Etanol de posto: o risco oculto nas impurezas

Já o etanol combustível, embora também venha da cana, passa por processos industriais voltados à potência energética. Ele contém cerca de 96% de etanol e 4% de água e impurezas.

Além disso, o combustível é “desnaturalizado” — ou seja, recebe adição de substâncias tóxicas, como metanol, corantes e detergentes, que o tornam impróprio para o consumo humano.

“Esses aditivos não afetam o funcionamento dos motores, mas são extremamente perigosos para o corpo humano”, alerta Indianara Brandão, médica hematologista da Faculdade de Medicina do ABC.

O metanol, usado como aditivo, é o mais letal. No organismo, ele se transforma em compostos tóxicos, como formaldeído e ácido fórmico, que podem causar cegueira, danos neurológicos e até morte.

Por que o etanol não serve como antídoto fora do hospital

Curiosamente, o próprio etanol é usado como antídoto em casos de intoxicação por metanol — mas apenas em ambiente hospitalar.
Isso ocorre porque o etanol compete com o metanol pela mesma enzima no fígado, retardando a formação das substâncias tóxicas.

No entanto, o tratamento mais seguro envolve o uso de fomepizol e hemodiálise, sob supervisão médica.
“De forma alguma o consumo de álcool combustível deve ser tentado como tratamento”, reforça Brandão.

Fiscalização e conscientização

Com o aumento dos casos de intoxicação por metanol em várias cidades do Estado de São Paulo, especialistas reforçam a importância da fiscalização e da denúncia de produtos clandestinos.
O consumo de bebidas adulteradas pode causar danos irreversíveis e até ser fatal.

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