sábado, março 7, 2026
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Casos de intoxicação por metanol acendem alerta nacional: entenda o que se sabe até agora

Os casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas têm preocupado autoridades de saúde em todo o país, especialmente em São Paulo, onde duas mortes já foram confirmadas. O Ministério da Saúde divulgou que o Brasil contabiliza 195 notificações, sendo 162 no Estado de São Paulo.

O metanol é um álcool altamente tóxico, usado na indústria química, que causa danos graves ao fígado, rins, sistema nervoso e nervo óptico. Em casos severos, pode levar à cegueira, coma e morte. Por isso, o governo federal e os estados intensificaram a vigilância sanitária e as operações contra a adulteração de bebidas.


Como começou a crise do metanol

Os primeiros casos de intoxicação por metanol foram identificados no fim de agosto. Naquele período, hospitais paulistas começaram a receber pacientes com sintomas semelhantes, e as análises laboratoriais confirmaram a presença da substância nas bebidas consumidas.

Dessa forma, as autoridades perceberam que as vítimas não estavam em situação de vulnerabilidade, o que despertou o alerta: a contaminação vinha de bebidas comercializadas em bares, festas e adegas. Desde então, a Polícia Civil passou a investigar possíveis fábricas clandestinas.


Linha de investigação da Polícia Civil

As apurações indicam que metanol estaria sendo usado para higienizar garrafas falsificadas antes do envase. Esse método ilegal, proibido no Brasil, teria sido contrabandeado.
Mais de mil garrafas foram apreendidas em operações conjuntas entre a Polícia e a Vigilância Sanitária. Parte das amostras testou positivo para a presença da substância.

Enquanto isso, o governador Tarcísio de Freitas determinou medidas mais rigorosas, incluindo a cassação do cadastro estadual de bares e distribuidoras flagradas vendendo produtos adulterados.


Como se proteger da intoxicação por metanol

Autoridades alertam que não é possível identificar o metanol apenas pelo cheiro, cor ou sabor. Por isso, os consumidores devem comprar apenas em locais de confiança, exigir nota fiscal e verificar lacres e selos fiscais nas garrafas.

A Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) recomenda ainda:

  • Além disso, descartar garrafas e tampas separadamente;
  • Rasgar ou remover rótulos antes do descarte;
  • Levar as embalagens a pontos de reciclagem;
  • Evitar o lixo comum, que pode ser fonte para falsificadores.

Segundo a entidade, esse cuidado simples dificulta a reutilização de embalagens originais, o que ajuda a reduzir o risco de adulteração.


Sintomas e tratamento da intoxicação por metanol

Nas primeiras horas, os sintomas se assemelham a uma ressaca: náusea, tontura e dor de cabeça. Com o passar do tempo, após 12 horas, podem surgir visão borrada, falta de ar e fraqueza. Se não houver tratamento rápido, há risco de cegueira e falência de órgãos.

O antídoto principal é o fomepizol, que bloqueia a ação tóxica do metanol. O governo federal já adquiriu 2,5 mil unidades do medicamento, além de etanol farmacêutico, usado como alternativa em emergências. Assim, os profissionais de saúde conseguem agir rapidamente para salvar vidas.


Impactos para bares e restaurantes

Em São Paulo, bares relatam queda no movimento e cancelamento de reservas, principalmente os que vendem bebidas destiladas. Por esse motivo, muitos suspenderam temporariamente a venda de vodca, gin e cachaça.

A Abrasel pede fiscalização mais intensa e campanhas educativas para proteger consumidores e estabelecimentos. Ao mesmo tempo, reforça que a união entre poder público e setor privado é essencial para restaurar a confiança do público.


Casos em investigação e vítimas confirmadas

As vítimas confirmadas incluem jovens e adultos que consumiram bebidas adulteradas em bares e festas. Entre elas, está Radharani Domingos, que perdeu a visão após beber caipirinhas em um bar dos Jardins; Rafael Anjos Martins, em coma desde 1º de setembro; e Marcelo Lombardi, empresário que faleceu após ingerir vodca contaminada.

Atualmente, novas notificações estão sendo monitoradas em tempo real pelo Ministério da Saúde e pelos Ciatox (Centros de Informação e Assistência Toxicológica). Enquanto isso, as investigações seguem em andamento para identificar a origem exata das bebidas adulteradas.

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