sábado, março 7, 2026
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Dólar cai 11% em 2025; Trump, Fed e Brasil influenciam câmbio

Em 2025, o dólar registrou forte desvalorização no mundo. No Brasil, a moeda norte-americana caiu 11,18% frente ao real, a maior queda em quase uma década — em 2016, a redução foi de 17,8%. Outros países emergentes e economias avançadas, como euro, franco suíço, iene japonês e libra esterlina, também viram suas moedas se valorizar frente ao dólar.


Trump e o dólar mais fraco

Segundo especialistas, a desvalorização global do dólar está ligada, em grande parte, às políticas adotadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump. Esperava-se uma agenda conservadora e protecionista, mas muitas medidas foram implementadas gradualmente.

  • No início do ano, o dólar estava cotado a R$ 6,16 e caiu 7,4% até o fim do primeiro trimestre.
  • O anúncio de tarifas de importação em abril causou alta temporária, mas não sustentou a valorização.
  • A volatilidade incentivou investidores a fazer hedge cambial, pressionando ainda mais a queda da moeda.

Influência do Fed

A expectativa de redução da taxa de juros nos EUA também impactou o câmbio. O Federal Reserve (Fed) cortou os juros três vezes, reduzindo a faixa de 4,25%-4,50% para 3,50%-3,75% ao ano — o menor nível desde 2022.

Juros mais baixos nos EUA diminuem o rendimento das Treasuries, incentivando investidores a buscar melhores retornos em mercados emergentes, beneficiando o Brasil.


Cenário interno: valorização do real

No Brasil, fatores internos ajudaram o real a se fortalecer:

  • Taxa básica de juros elevada, atraindo investidores estrangeiros.
  • Compromisso do Banco Central com meta de inflação de 3%, conduzido pelo presidente Gabriel Galípolo.
  • Melhora na percepção das contas públicas, com previsões mais consistentes de arrecadação e despesas.

“Embora a situação fiscal ainda preocupe, o governo mostrou maior consistência em 2025, ajudando a manter o real valorizado”, diz Leonel Mattos, analista da StoneX.


Perspectivas para 2026

Para o próximo ano, os especialistas apontam que fatores internos e externos continuarão a influenciar o câmbio:

  • Incertezas sobre a economia americana e possíveis mudanças no Fed.
  • Eleições no Brasil e expectativas sobre política fiscal e juros.
  • Continuação do ciclo de cortes de juros pelo Banco Central brasileiro.

Segundo os analistas, até março, o dólar deve ser mais influenciado por decisões nos EUA. A partir de abril, a eleição e expectativas de gastos do governo terão maior impacto sobre o câmbio.

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