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França votará contra acordo UE–Mercosul, diz Macron

Encontro da União Europeia nesta sexta pode definir próximos passos do tratado, com possibilidade de ratificação na segunda-feira (12). França mantém oposição junto com Irlanda, Hungria e Polônia.

França anuncia voto contra acordo UE–Mercosul

O presidente francês, Emmanuel Macron, declarou nesta quinta-feira (8) que a França votará contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul. A decisão será levada à reunião dos embaixadores do bloco europeu marcada para sexta-feira, após Macron informar à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Além da França, outros países, como Irlanda, Hungria e Polônia, também se posicionam contra o tratado.

Impactos para o Brasil e o Mercosul

Para o Brasil, maior economia do Mercosul, o acordo ampliaria o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores. O tratado afeta não apenas o agronegócio, mas também diferentes setores da indústria brasileira.

Até o momento, o Itamaraty não comentou a declaração do presidente francês.

Macron e a resistência francesa

No mês passado, Macron já havia condicionado qualquer apoio à inclusão de salvaguardas para proteger o setor agrícola francês.

“Quero dizer aos nossos agricultores que consideramos que as contas não fecham e que este acordo não pode ser assinado”, declarou.

Paris também se opõe a qualquer tentativa de acelerar ou impor a aprovação do pacto. Entre os produtores rurais franceses, o acordo é visto como uma ameaça por gerar concorrência com produtos latino-americanos mais baratos e submetidos a padrões ambientais diferentes dos exigidos na União Europeia.

Medidas francesas e protestos de agricultores

Como medida preventiva, o governo francês suspendeu temporariamente a importação de alguns produtos agrícolas, especialmente da América do Sul, que contenham agrotóxicos proibidos no bloco europeu. A lista inclui abacates, mangas, goiabas, frutas cítricas e batatas com resíduos de cinco fungicidas e herbicidas vetados: mancozeb, tiofanato-metílico, carbendazim, glufosinato e benomil.

Mesmo assim, protestos de agricultores ocorreram em Paris, reunindo sindicatos do setor rural.

Assinatura do acordo pode ocorrer na segunda-feira

Após mais de duas décadas de negociação, o acordo comercial, discutido desde 1999, pode avançar para a etapa final na União Europeia. O Conselho do bloco se reúne nesta sexta-feira para decidir se autoriza a aprovação do texto.

Caso a maioria dos 27 Estados-membros apoie, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, poderá assinar o tratado oficialmente na segunda-feira (12), no Paraguai. O acordo criaria a maior área de livre comércio do mundo.

Apoio de Alemanha, Espanha e possível Itália

Enquanto França, Irlanda, Hungria e Polônia resistem, Alemanha e Espanha mantêm apoio firme ao tratado. Os líderes defendem que a União Europeia avance com o acordo firmado politicamente com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.

A Itália também sinalizou possível apoio, desde que suas demandas agrícolas sejam atendidas. O governo italiano deve contribuir para atingir a exigência de 15 Estados-membros representando ao menos 65% da população do bloco para autorizar a assinatura.

O acordo vai além do agronegócio

Embora a maior resistência concentre-se no setor agrícola, o tratado inclui regras sobre indústria, serviços, investimentos e propriedade intelectual, garantindo respaldo de outros setores econômicos.

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