Uma ampla revisão científica com mais de um milhão de participantes concluiu que a terapia hormonal na menopausa não aumenta nem reduz o risco de demência em mulheres. O estudo analisou evidências publicadas nas últimas décadas e trouxe novos esclarecimentos sobre o tema.
A pesquisa foi publicada na revista científica The Lancet Healthy Longevity e deve contribuir para a atualização das diretrizes da Organização Mundial da Saúde (OMS).
Análise reuniu estudos com mais de 1 milhão de mulheres
Os pesquisadores revisaram quase seis mil registros científicos. Ao final, selecionaram dez estudos considerados relevantes, incluindo um ensaio clínico randomizado e nove estudos observacionais.
No total, foram analisados dados de 1.016.055 mulheres, com pesquisas publicadas entre 2000 e outubro de 2025. Nenhum dos estudos avaliou o uso de testosterona ou casos de insuficiência ovariana prematura.
Resultados não confirmam efeito da terapia no declínio cognitivo
De acordo com a revisão, não há evidências consistentes de que a terapia hormonal da menopausa influencie o risco de demência ou de comprometimento cognitivo leve.
Estudos observacionais anteriores sugeriam possível benefício, especialmente quando a terapia era iniciada precocemente. No entanto, esses resultados não se repetiram em ensaios clínicos controlados.
Por isso, os pesquisadores alertam que a terapia hormonal não deve ser utilizada com o objetivo exclusivo de prevenir demência.
Menopausa pode afetar a cognição, mas fatores são múltiplos
A menopausa marca a transição para a fase não reprodutiva da mulher. Nesse período, ocorre a redução dos hormônios estrogênio e progesterona, que também atuam no sistema nervoso central.
Além dos sintomas físicos, muitas mulheres relatam alterações cognitivas, como:
- perda de memória
- dificuldade de concentração
- problemas de foco
Algumas pesquisas associam sintomas intensos da menopausa e menopausa precoce a maior risco de demência ao longo da vida. Ainda assim, a relação é complexa e envolve múltiplos fatores.
OMS pode usar revisão para atualizar diretrizes
Atualmente, a Organização Mundial da Saúde não apresenta recomendações específicas sobre terapia hormonal e saúde cognitiva. A nova revisão deve servir de base para futuras orientações sobre prevenção do declínio cognitivo.
Os autores destacam que mais estudos são necessários para compreender melhor os efeitos da reposição hormonal no cérebro ao longo do envelhecimento.
Terapia hormonal segue indicada para qualidade de vida
Mesmo sem impacto comprovado sobre o risco de demência, a terapia hormonal continua indicada para aliviar sintomas do climatério e melhorar a qualidade de vida de muitas mulheres.
A recomendação deve sempre considerar avaliação médica individualizada, levando em conta benefícios, riscos e histórico de saúde.

