Sheila e Clay Fletcher foram condenados a 20 anos de prisão, no dia 20 de março de 2024, pela morte da filha Lacey Fletcher, encontrada sem vida em janeiro de 2022, em condições extremas dentro da casa da família, nos Estados Unidos. O corpo da vítima, então com 36 anos, estava “fundido” a um sofá infestado de vermes, em um ambiente tomado por urina e fezes.
Segundo os promotores responsáveis pelo caso, Lacey não saía do sofá havia cerca de 12 anos e pesava apenas 46 quilos quando seus restos mortais foram localizados. A jovem havia desaparecido da vida pública há aproximadamente duas décadas.
O médico-legista Ewell Bickham, responsável pela análise do cadáver, afirmou em entrevista ao New York Post que permanece traumatizado com o caso.
“Já vi todo tipo de morte e cadáver em todos os meus anos de trabalho, mas nunca vi nada parecido com o que aconteceu com Lacey. Ninguém merece sofrer assim”, declarou.
De acordo com Bickham, o corpo de Lacey havia se “fundido” ao sofá por meio da pele em decomposição, e seus ossos estavam visivelmente salientes quando ela foi encontrada. O relatório apontou como causa da morte sepse, decorrente da combinação de múltiplas condições, incluindo infecção óssea crônica, imobilidade prolongada, desnutrição extrema e negligência crônica grave de uma pessoa com necessidades especiais.
Alegação de inocência
Durante o processo, Sheila e Clay Fletcher insistiram em sua inocência. O casal alegou que Lacey era “sã”, mas sofria de síndrome de Asperger e ansiedade social severa, diagnosticadas ainda na juventude. Segundo os pais, a filha se recusava a sair do sofá, motivo pelo qual eles levavam refeições até ela e lhe forneciam um penico para uso.
Os Fletchers também afirmaram que Lacey sofria de síndrome do encarceramento, um distúrbio neurológico que impede a movimentação do corpo, exceto dos olhos. No entanto, fontes ligadas à investigação classificaram essas alegações como falsas e atribuíram toda a responsabilidade diretamente aos pais.
Documentos do processo indicam que Lacey foi levada a um psicólogo por seus pais em meados dos anos 2000, quando tinha 14 anos, ocasião em que foi registrada a presença de ansiedade social grave. Em 2010, Sheila e Clay retornaram ao profissional sem a presença da filha, relatando que ela se recusava a sair de casa e urinava e defecava no chão. O especialista recomendou a hospitalização imediata da jovem, o que nunca foi feito.
Descoberta do corpo
Conforme relatório divulgado pelo Daily Mail, a patologista forense Dana Troxclair, que participou da investigação, informou que o corpo de Lacey apresentava múltiplas úlceras, além de infecção óssea crônica, com fibras polarizáveis e vermes incrustados na superfície exposta dos ossos.
“As larvas estavam presentes no períneo e nas áreas das úlceras de decúbito. Se as larvas tivessem aparecido após a morte, haveria pelo menos uma presença mínima de ovos ou larvas nos olhos, orelhas ou nariz”, escreveu Troxclair em seu relatório, indicando que a infestação ocorreu ainda em vida.
Reação de pessoas próximas
Um amigo próximo da família, Jess Easley, afirmou ao New York Post que conhecia Sheila e Clay havia 25 anos, mas que jamais soube que o casal tinha uma filha, apesar das reuniões semanais que mantinham.
“Clay e Sheila eram como cidadãos modelo. Pessoas legais, de fala mansa — ou assim pensávamos. Estou além de chocado com o que aconteceu. Nunca senti tanto coração partido em minha vida”, declarou.

