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Estudo revela que consumo de álcool e drogas pelos pais influencia jovens

Uso de álcool e drogas pelos pais influencia filhos

Um estudo brasileiro analisou dados de 4.280 adolescentes e seus responsáveis para investigar se o consumo de álcool e drogas pelos pais afeta o comportamento dos filhos. Os resultados indicam que, embora o uso pelos pais aumente o risco de consumo pelos filhos, estilos parentais acolhedores e com regras claras reduzem significativamente esse risco.

A pesquisa avaliou jovens com idade média de 14,7 anos em quatro cidades paulistas: Cordeirópolis, Iracemápolis, Salesópolis e Biritiba-Mirim.

Estilos parentais e proteção

O estudo identificou quatro estilos parentais:

  1. Autoritativo – combina acolhimento e monitoramento; apresentou maior efeito protetor.
  2. Autoritário – regras rígidas, protege parcialmente, mais contra drogas que álcool.
  3. Permissivo – não apresentou efeito protetor.
  4. Negligente – maior risco para consumo de drogas e álcool pelos filhos.

Professora Zila Sanchez explica:
“Quando os pais combinam afeto, diálogo e regras claras, o risco que eles mesmos trazem ao consumir substâncias diminui consideravelmente. O maior preditor de abstinência é o não uso pelos responsáveis: 89% dos adolescentes cujos pais são abstinentes também não consomem álcool nem outras drogas.”

Perfis de consumo e riscos

O estudo separou adolescentes em três perfis:

  • Abstêmios
  • Apenas álcool
  • Duas ou mais substâncias

O consumo de álcool pelos pais aumentou a probabilidade de uso pelos filhos para 24% (bebidas alcoólicas) e 6% (duas ou mais drogas). Quando os pais usam várias substâncias, o risco sobe para 17% e 28%, respectivamente.

Mesmo em famílias com boas práticas educativas, o uso frequente de álcool pelos pais continua associado ao consumo dos adolescentes, reforçando a necessidade de cautela.

Estratégias de prevenção

O estudo integra o projeto “Redução do consumo de álcool entre adolescentes através de uma intervenção multicomponente de base comunitária”, financiado pela Fapesp. A iniciativa combina:

  • Intervenção escolar
  • Programa familiar
  • Ações ambientais na comunidade

O objetivo é retardar o início do consumo entre jovens, uma das estratégias mais eficazes para reduzir danos futuros à saúde.

Dados epidemiológicos

Segundo o Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (Lenad III):

  • 27,6% dos adolescentes de 14 a 17 anos já consumiram álcool.
  • 19% usaram no último ano, cerca de 2,2 milhões de jovens.
  • Cerca de 1 milhão de adolescentes já experimentou maconha, metade no último ano.
  • Entre a população geral, 18,7% experimentou alguma substância psicoativa (excluindo álcool e nicotina).

A pesquisa reforça que combinar presença, afeto e regras claras na educação dos filhos reduz riscos, mesmo em famílias onde os pais consomem substâncias.

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