Durante o acompanhamento, 11.033 participantes desenvolveram demência. Ao comparar os extremos de consumo de café com cafeína, pesquisadores observaram 330 casos por 100 mil pessoas ao ano entre os que consumiam pouco, contra 141 casos entre os maiores consumidores.
Mesmo após considerar idade, tabagismo, atividade física, dieta, índice de massa corporal, hipertensão e diabetes, a associação permaneceu. Os participantes que mais bebiam café apresentaram 18% menor risco de desenvolver demência. O mesmo padrão foi observado para o chá, enquanto o café descafeinado não mostrou associação consistente.
O menor risco ocorreu entre pessoas que ingeriam cerca de 2 a 3 xícaras por dia, aproximadamente 300 mg de cafeína. Quantidades maiores não trouxeram benefício adicional. Especialistas explicam que muitas substâncias possuem ponto de saturação: doses moderadas podem ajudar, mas o excesso não aumenta o efeito e pode até prejudicar o sono. A cafeína atua em receptores cerebrais ligados à inflamação e metabolismo, porém café e chá também contêm antioxidantes e polifenóis.
Apesar dos resultados, o estudo é observacional e não comprova causa e efeito. Alterações cerebrais podem começar anos antes do diagnóstico e levar a mudanças de hábito, como reduzir o café, influenciando os dados. Fatores socioeconômicos e estilo de vida também podem interferir, além do fato de a pesquisa ter sido feita com profissionais de saúde dos Estados Unidos, o que limita a generalização.
Em testes cognitivos com mulheres acima de 70 anos, as maiores consumidoras tiveram 0,11 ponto a mais na pontuação, diferença pequena — equivalente a cerca de meio ano de envelhecimento cognitivo. Individualmente o efeito é modesto, mas pode ter relevância em escala populacional.
O consumo moderado de café parece seguro e associado a menor risco, porém não significa prevenção do Alzheimer. A proteção mais comprovada continua sendo controlar pressão e diabetes, praticar atividade física, manter estímulo intelectual, dormir bem e preservar a interação social. O estudo reforça uma hipótese plausível, mas não representa uma conclusão definitiva.

