segunda-feira, março 9, 2026
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IA pode identificar risco de doenças cardíacas a partir de mamografias

Um estudo da Sociedade Europeia de Cardiologia, publicado na revista European Heart Journal, aponta que a inteligência artificial (IA) pode prever o risco de doenças cardiovasculares em mulheres a partir de mamografias de rotina.

Como a IA analisa as mamografias

A pesquisa revelou que a IA consegue detectar depósitos de cálcio nas artérias da mama, conhecidos como calcificação arterial. Esses depósitos não estão ligados a tumores, mas estudos anteriores associam a calcificação a fatores de risco cardiovascular e ao desenvolvimento futuro de doenças cardíacas.

Segundo Hari Trivedi, da Emory University e líder do estudo, “a detecção do cálcio nas mamografias já era conhecida, mas queríamos testar se a IA poderia identificar mulheres em risco de doenças cardiovasculares, sem custo ou inconveniência adicional”.

Participantes e metodologia

O estudo analisou 123.762 mulheres sem histórico conhecido de doenças cardíacas. A IA classificou a calcificação em quatro níveis: ausente, leve, moderada e grande. Posteriormente, os pesquisadores compararam essas classificações com o desenvolvimento de eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto, AVC e morte por doença cardíaca.

Níveis de risco identificados

Os resultados mostraram que:

  • Mulheres com calcificação leve tiveram 30% mais risco de evento cardiovascular grave;
  • Mulheres com calcificação moderada tiveram 70% mais risco;
  • Mulheres com calcificação grande apresentaram duas a três vezes mais chance de sofrer eventos graves.

Trivedi destacou que o risco se manteve mesmo em mulheres com menos de 50 anos e após considerar fatores como diabetes e tabagismo. Dessa forma, a IA pode identificar riscos mesmo em grupos tradicionalmente considerados de baixo risco.

Diagnóstico precoce e próximos passos

A técnica representa uma ferramenta promissora para diagnóstico precoce, aproveitando exames já realizados rotineiramente. Para sua implementação clínica, será necessário integrar a IA aos fluxos de trabalho existentes e estabelecer notificações para médicos e pacientes.

Além disso, os pesquisadores planejam ensaios clínicos para testar novas etapas do uso da tecnologia. Assim, a IA pode se tornar um aliado eficaz no rastreamento cardiovascular feminino, prevenindo doenças graves antes que se tornem críticas.

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