Um estudo conduzido por pesquisadores do A.C.Camargo Cancer Center revelou que um material normalmente descartado durante exames pode se tornar um aliado importante na detecção do câncer de estômago.
A pesquisa mostra que o DNA presente no suco gástrico — líquido coletado durante a endoscopia — pode ajudar a identificar tumores e indicar a evolução da doença. Assim, a técnica surge como um complemento ao diagnóstico tradicional.
Método aproveita material descartado na endoscopia
Durante a endoscopia digestiva alta, os médicos já realizam a aspiração do líquido do estômago para facilitar a visualização. No entanto, esse material é normalmente descartado.
Agora, os pesquisadores propõem utilizar esse mesmo líquido para análise, sem necessidade de novos exames. Dessa forma, o procedimento se torna mais completo, sem aumentar riscos ou custos para o paciente.
Técnica pode aumentar a precisão do diagnóstico
O principal benefício do método está em complementar a biópsia, que ainda é considerada o padrão-ouro no diagnóstico. Em alguns casos, a coleta de tecido pode não representar toda a lesão, especialmente quando o tumor está em áreas mais profundas.
Nesse sentido, a análise do suco gástrico funciona como uma “amostra ampliada”, reunindo informações de diferentes regiões do estômago. Assim, pode ajudar a reduzir falhas e aumentar a chance de detectar o câncer logo no início.
Resultado também pode indicar resposta do organismo
Outro achado relevante do estudo aponta que níveis mais altos de DNA no suco gástrico podem estar associados a uma melhor resposta do organismo ao tumor.
Isso ocorre porque o aumento do DNA pode refletir não apenas a presença do câncer, mas também uma reação mais intensa do sistema imunológico, o que pode indicar um prognóstico mais favorável em alguns casos.
Técnica ainda precisa de mais estudos
Apesar dos resultados promissores, os especialistas alertam que o método ainda não substitui a biópsia e precisa de validação em estudos maiores.
Por enquanto, a principal contribuição da técnica é aumentar a precisão do diagnóstico, especialmente em situações mais complexas. No futuro, porém, ela pode ajudar a transformar a endoscopia em um exame ainda mais completo e eficiente.

