
O Brasil dará um passo importante no tratamento do câncer. Isso porque o país terá o primeiro centro de protonterapia, que será construído na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. A iniciativa conta com financiamento de R$ 132,6 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). No entanto, os pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ainda precisarão esperar. Segundo o cronograma, os atendimentos devem começar apenas em 2030.
Centro será referência em tratamento de alta precisão
O espaço receberá o nome de Centro de Protonterapia Mário Kroeff. Além disso, o projeto terá parceria técnica com o Instituto Nacional de Câncer (Inca). A Fundação Educacional Severino Sombra (FUSVE) investirá R$ 82,4 milhões como contrapartida. Ao todo, o custo da obra está estimado em cerca de R$ 400 milhões.
Atualmente, a construção ainda não começou. O projeto está na fase de engenharia. O equipamento será fabricado na Bélgica e deve chegar ao Brasil em 2029. Depois disso, passará por testes antes do início dos atendimentos.
O que é a protonterapia
A protonterapia é uma modalidade avançada de radioterapia. Ela utiliza prótons para destruir as células cancerígenas. Diferentemente da radioterapia convencional, a técnica concentra a radiação diretamente no tumor. Dessa forma, reduz a exposição dos tecidos saudáveis ao redor.
Como consequência, os efeitos colaterais tendem a ser menores. O benefício é ainda maior em pacientes com tumores próximos a órgãos sensíveis ou localizados em regiões delicadas do corpo.
Crianças terão prioridade
Os especialistas afirmam que a protonterapia não substituirá a radioterapia convencional. Em vez disso, ela será indicada para casos específicos. A tecnologia beneficia principalmente crianças com tumores complexos. Principalmente, aqueles localizados no cérebro, na medula espinhal e em outras áreas sensíveis.
Como o organismo infantil ainda está em desenvolvimento, a técnica reduz o risco de sequelas futuras. Entre elas, estão alterações hormonais, dificuldades cognitivas, infertilidade e até um segundo câncer provocado pela radiação.
Atendimento pelo SUS ainda depende de aprovação
Mesmo após a inauguração do centro, o acesso pelo SUS não será imediato. Antes disso, o Ministério da Saúde precisará analisar a incorporação da tecnologia. A avaliação ficará a cargo da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
Somente então, serão definidos os critérios de encaminhamento. Além disso, o governo estabelecerá quem terá prioridade e como será o custeio para pacientes que precisarem viajar até o Rio de Janeiro.
Tecnologia ainda é rara no mundo
Atualmente, existem cerca de 142 centros de protonterapia em funcionamento no mundo. No entanto, nenhum deles está localizado na América Latina. O principal motivo é o alto custo de implantação e manutenção.
Segundo os responsáveis pelo projeto, entre 20 e 30 brasileiros viajam todos os meses ao exterior para realizar esse tratamento. Nesses casos, o custo varia entre R$ 765 mil e R$ 1,02 milhão por paciente.
Avanço importante para a oncologia brasileira
Especialistas consideram a chegada da protonterapia um avanço para o país. Além de ampliar as opções de tratamento, a tecnologia poderá beneficiar principalmente crianças com câncer. Mesmo assim, um único centro não será suficiente para atender toda a demanda nacional. Por isso, será necessário criar uma rede eficiente para identificar e encaminhar os pacientes.
Enquanto isso, os brasileiros continuarão recebendo tratamento com as modalidades de radioterapia já disponíveis no país. Por fim, a protonterapia deverá atender os primeiros pacientes somente a partir de 2030.
