quarta-feira, julho 29, 2026
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Vacas monitoradas por IA viram garantia de empréstimo pela primeira vez no Brasil

O Brasil registrou uma operação inédita no mercado financeiro. Pela primeira vez, vacas monitoradas por IA foram utilizadas como garantia de um empréstimo registrado na B3. A novidade une inteligência artificial, blockchain e crédito rural para oferecer mais segurança às instituições financeiras e ampliar o acesso dos produtores ao financiamento.

A operação utilizou um rebanho tokenizado. Com isso, o banco passou a acompanhar, em tempo real, informações sobre a saúde e a localização dos animais. Dessa forma, a instituição reduz riscos e pode oferecer melhores condições de crédito.

Como funciona a garantia com vacas monitoradas por IA

Na operação pioneira, dez vacas leiteiras foram avaliadas em R$ 120 mil. Assim, o produtor rural conseguiu um empréstimo de R$ 100 mil para a fazenda Engenho Velho, em Belo Horizonte (MG).

Segundo Humberto Brenner, diretor da Target FIDC, o monitoramento resolve um antigo problema do setor financeiro. Antes, os bancos não conseguiam acompanhar a condição dos animais usados como garantia. Por isso, reduziam o valor aceito ou aumentavam o custo das operações.

Além disso, utilizar o rebanho como garantia evita que o produtor comprometa imóveis rurais em empréstimos menores, como os destinados ao custeio da produção ou ao capital de giro.

Tecnologia acompanha saúde e localização do rebanho

A tecnologia foi desenvolvida pela Cowmed. O sistema utiliza um colar inteligente instalado nas vacas leiteiras. O equipamento monitora alimentação, ruminação, descanso, respiração, temperatura corporal e localização dos animais.

Em seguida, a inteligência artificial analisa essas informações. Assim, consegue identificar possíveis doenças, acompanhar tratamentos e apontar melhorias ou agravamentos no estado de saúde do rebanho.

Segundo o CEO da Cowmed, Thiago Martins, o equipamento funciona como um smartwatch. No entanto, foi desenvolvido especificamente para atender às necessidades da pecuária leiteira.

Além do monitoramento sanitário, o sistema registra todo o histórico produtivo das vacas. Dessa maneira, o produtor acompanha também a produção de leite de cada animal.

Tokenização aumenta a segurança para bancos

Depois da seleção dos animais, as informações são enviadas para uma plataforma de tokenização. Em seguida, cada vaca recebe um código único registrado em blockchain.

Esse registro permite que a instituição financeira acompanhe os dados do animal durante todo o contrato. Além disso, impede que a mesma vaca seja utilizada como garantia em mais de um empréstimo.

Segundo os responsáveis pelo projeto, essa rastreabilidade aumenta a confiança dos bancos e reduz o risco das operações.

O que acontece se um animal morrer

Caso um dos animais morra durante o contrato, o banco recebe a informação imediatamente. Dependendo do saldo devedor, o produtor poderá substituir a vaca por outro animal.

Segundo a Target FIDC, a operação mantém uma razão de garantia de 1,2. Isso significa que o valor do rebanho precisa permanecer superior ao saldo da dívida.

Mesmo assim, Brenner acredita que esse modelo pode ser mais eficiente do que garantias tradicionais. Segundo ele, o gado apresenta alta liquidez e pode ser vendido rapidamente no mercado. Além disso, o histórico sanitário dos animais aumenta a segurança da negociação.

Por isso, especialistas avaliam que a tecnologia poderá transformar o crédito rural. A combinação entre inteligência artificial, blockchain e monitoramento em tempo real tende a facilitar o acesso dos produtores a financiamentos com condições mais competitivas.

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