
Uma avalanche de gelo e rochas provocou uma enorme enxurrada na fronteira entre o Nepal e o Tibete, na China, deixando pelo menos 362 mortos e 1.468 desaparecidos. As equipes de resgate continuam as buscas nas áreas atingidas pelo desastre.
As autoridades registraram 359 mortes no Nepal e três no Tibete. O desastre aconteceu na quarta-feira (26), depois que o colapso de uma geleira provocou um grande fluxo de água, lama e destroços.
Enxurrada destruiu casas, estradas e pontes
No Nepal, a enxurrada atingiu áreas próximas aos rios Trishuli e Bhote Koshi. A força da água também alcançou a região de Gyirong, no Tibete.
A enxurrada destruiu ou danificou casas, estradas, pontes e instalações de energia. Além disso, a grande quantidade de lama e escombros dificulta o acesso das equipes de emergência às comunidades afetadas.
Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros. No Nepal, 910 pessoas ainda não foram localizadas, incluindo mais de 700 estrangeiros. No Tibete, 558 pessoas continuam desaparecidas, entre elas 260 estrangeiros.
Colapso de geleira pode ter provocado avalanche
As autoridades investigam como principal hipótese o colapso de uma geleira na montanha Langtang Lirung, que tem mais de 7 mil metros de altitude.
O deslizamento arrastou gelo, rochas e água armazenada em reservatórios naturais. Em seguida, o material atingiu o canal do rio Lhende Khola e avançou sobre áreas povoadas.
Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos informou que um terremoto havia ocorrido na região. Depois, o órgão corrigiu a informação e esclareceu que o registro estava relacionado ao colapso da geleira.
Resgate enfrenta dificuldades
As equipes de resgate trabalham em meio à lama e aos escombros. O Exército nepalês realizou sobrevoos na região e ajudou a retirar dezenas de pessoas das áreas atingidas.
Além disso, as autoridades orientaram moradores que vivem próximos aos rios a deixar suas casas diante do risco de novos alagamentos.
As autoridades também alertam para a possibilidade de uma segunda inundação. Detritos formaram um bloqueio em uma área mais alta do rio, aumentando a preocupação com uma nova enxurrada.
A região atingida fica no Himalaia e recebe turistas e moradores que circulam entre o Nepal e a China. O local também concentra estradas, instalações de energia e um posto de fronteira.
As chuvas de monção, comuns entre junho e setembro em partes do sul da Ásia, aumentam o risco de enchentes e deslizamentos. Especialistas também apontam que o aquecimento global pode contribuir para a maior frequência e intensidade de eventos extremos em áreas montanhosas.
As autoridades dos dois países concentram esforços nas operações de busca e resgate, enquanto familiares aguardam informações sobre as pessoas que continuam desaparecidas.
