sexta-feira, setembro 4, 2026
InícioSão Paulo - Brasil - MundoOperação Avaritia: Governo de SP denuncia fraudes em financiamentos durante a pandemia

Operação Avaritia: Governo de SP denuncia fraudes em financiamentos durante a pandemia

Investigação começou após denúncia na Ouvidoria, passou por auditorias internas da Desenvolve SP e chegou ao Ministério Público

A Polícia Civil de São Paulo realizou, nesta quinta-feira (3), a segunda fase da Operação Avaritia. A investigação apura um esquema de fraudes em financiamentos e lavagem de capitais que teria ocorrido entre 2021 e 2022, durante a pandemia.

O grupo investigado teria usado empresas de fachada, documentos falsos e balanços contábeis fraudulentos para conseguir financiamentos da Desenvolve SP, agência de fomento do Governo do Estado.

A investigação começou após uma denúncia recebida pela Ouvidoria da instituição. Em seguida, a própria Desenvolve SP realizou auditorias internas e encontrou outros casos com características semelhantes.

Além disso, a instituição encaminhou voluntariamente informações ao Ministério Público e aos órgãos de controle. Dessa forma, a apuração passou a contar com dados produzidos pela própria agência.

Polícia Civil cumpre 22 mandados em dois estados

A nova fase da Operação Avaritia conta com a atuação do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (NECCOLD).

O órgão integra a Divisão Especializada de Investigações Criminais (DEIC) do DEINTER-2 de Campinas.

Ao todo, a Polícia Civil cumpre 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro. Para realizar a operação, cerca de 80 policiais civis e 27 viaturas participam da ação.

Além disso, o Departamento de Operações Policiais Estratégicas (DOPE) oferece suporte operacional aos agentes.

Durante a operação, os policiais também estiveram na sede da Desenvolve SP. A instituição mantém cooperação com as autoridades e disponibiliza sistemas, documentos e relatórios técnicos para auxiliar a investigação.

Assim, os investigadores podem cruzar informações e buscar novos elementos sobre a movimentação dos recursos.

Fraudes exploraram crédito emergencial na pandemia

As fraudes investigadas ocorreram entre 2021 e 2022. Naquele período, a Desenvolve SP ampliou o acesso ao crédito para ajudar micro, pequenas e médias empresas afetadas pela pandemia de Covid-19.

Ao todo, a instituição realizou 7.632 operações de crédito emergencial. Os financiamentos movimentaram R$ 2,18 bilhões na economia paulista.

Segundo os dados apresentados pelo Governo de São Paulo, 96,1% dessas operações ocorreram normalmente e dentro da legalidade.

No entanto, o grupo investigado teria aproveitado o cenário de urgência econômica e sanitária para tentar burlar os mecanismos de controle.

Para isso, os suspeitos teriam utilizado diferentes estratégias.

Empresas de fachada

Os investigados criavam empresas fictícias e registravam os negócios em nome de terceiros, conhecidos como “laranjas” ou testas de ferro.

Além disso, o grupo teria utilizado documentos falsos para dar aparência de regularidade às empresas.

Balanços contábeis falsos

Os suspeitos também apresentavam faturamentos e balanços contábeis fictícios. Dessa maneira, tentavam demonstrar que as empresas atendiam aos requisitos necessários para conseguir os financiamentos.

A investigação ainda apura a participação de contadores no esquema.

Transferência dos recursos

Depois que a Desenvolve SP liberava os recursos, os investigados transferiam rapidamente o dinheiro para outras contas ligadas à organização.

Assim, o grupo dificultava o rastreamento dos valores recebidos.

Empresas sem patrimônio

Quando a agência tentava cobrar os valores e executar as garantias, encontrava empresas sem patrimônio suficiente.

Por isso, a Desenvolve SP enfrentava dificuldades para recuperar os recursos por meio das medidas de cobrança.

As fraudes investigadas provocaram um prejuízo estimado em R$ 70,4 milhões à Desenvolve SP.

Desenvolve SP abriu processos contra colaboradores

Paralelamente à investigação policial, a Desenvolve SP realizou apurações internas para verificar a possível participação ou conivência de colaboradores.

Em setembro de 2023, a instituição abriu Processos Administrativos Disciplinares (PADs) contra oito colaboradores.

Depois, em dezembro daquele ano, a equipe identificou novos indícios de irregularidades funcionais. A instituição comunicou as informações à Controladoria Geral do Estado (CGE).

Após a conclusão dos processos disciplinares, a Desenvolve SP demitiu cinco colaboradores em 2024.

Além disso, a instituição encaminhou informações complementares à CGE e à Polícia Civil.

Agência reforçou controles contra novas fraudes

A partir das informações levantadas durante as investigações, a Desenvolve SP reformulou processos internos de governança e segurança.

A instituição adotou o modelo internacional das “Três Linhas de Defesa”. Com isso, reforçou diferentes etapas de controle e análise das operações.

Entre as mudanças, a agência reformulou as políticas de concessão de crédito e os procedimentos de Prevenção à Lavagem de Dinheiro e ao Financiamento do Terrorismo (PLD/FT).

Além disso, implementou ferramentas tecnológicas para cruzar dados de faturamento e identificar possíveis irregularidades.

Novas estruturas aumentam o controle

A Desenvolve SP também criou novas estruturas independentes de controle.

Entre elas estão a Diretoria de Controle de Riscos e a Superintendência de Normas e Compliance.

Dessa forma, a instituição ampliou a separação entre as áreas responsáveis pela operação e os setores que acompanham riscos e conformidade.

Outro ponto importante envolve as visitas presenciais.

Agora, a agência exige uma vistoria física para confirmar a existência da empresa antes de liberar novos financiamentos.

Além disso, a instituição passou a exigir procurações padronizadas e adotou validações mais rígidas.

Investigação começou após denúncia em 2022

A cronologia da Operação Avaritia começa em janeiro de 2022. Naquele mês, a Desenvolve SP recebeu pela Ouvidoria uma denúncia sobre uma possível fraude em uma operação de crédito.

Em seguida, a instituição iniciou uma investigação interna e encontrou outros casos semelhantes.

Já em novembro de 2022, o Ministério Público de São Paulo recebeu uma Notícia de Fato. No mesmo período, a Desenvolve SP também informou o Banco Central e a Controladoria Geral do Estado sobre as apurações.

Em fevereiro de 2023, a instituição avaliou que a quantidade de casos poderia indicar a participação de colaboradores.

Por isso, o Conselho de Administração criou um grupo de trabalho e contratou um escritório especializado em auditoria forense.

Veja a cronologia da Operação Avaritia

Janeiro de 2022
A Desenvolve SP recebe denúncia pela Ouvidoria e inicia uma investigação interna.

Novembro de 2022
O Ministério Público de São Paulo recebe uma Notícia de Fato. Além disso, Banco Central e CGE recebem informações sobre as apurações.

Fevereiro de 2023
O Conselho de Administração cria um grupo de trabalho e contrata uma empresa especializada em auditoria forense.

Julho de 2023
A Desenvolve SP envia informações complementares ao Ministério Público e apresenta denúncia ao Conselho Regional de Contabilidade contra contadores identificados na investigação.

Setembro de 2023
A instituição comunica os fatos ao Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP) e abre processos administrativos disciplinares contra oito colaboradores.

Outubro de 2023
A Polícia Civil realiza a primeira fase da Operação Avaritia.

Dezembro de 2023
A Desenvolve SP recebe uma nova denúncia contra um colaborador. Durante a apuração, a equipe identifica uma possível relação com o núcleo investigado na Operação Avaritia e comunica a CGE.

Fevereiro de 2024
A instituição abre um novo processo administrativo disciplinar e envia informações complementares à CGE e à Polícia Civil.

Junho de 2024
A Desenvolve SP desliga quatro colaboradores suspeitos de envolvimento.

Julho de 2024
A instituição desliga o colaborador citado na denúncia de dezembro de 2023.

Novembro de 2024
A Desenvolve SP envia uma nova manifestação ao Tribunal de Contas.

Setembro de 2026
A Polícia Civil realiza a segunda fase da Operação Avaritia e cumpre 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Operação busca recuperar recursos públicos

Com a segunda fase da Operação Avaritia, a Polícia Civil busca novos documentos, equipamentos eletrônicos e outras provas que possam ajudar a esclarecer o esquema.

Além disso, os investigadores pretendem rastrear o patrimônio dos envolvidos. O trabalho também busca localizar os valores desviados e ampliar as possibilidades de recuperação dos recursos.

Por fim, as autoridades pretendem responsabilizar os envolvidos nas esferas civil, penal e administrativa.

Dessa forma, a investigação busca não apenas esclarecer as fraudes, mas também recuperar recursos públicos e fortalecer os mecanismos de controle sobre os financiamentos.

Informações: Governo de São Paulo

Matérias Relacionadas

Deixe uma resposta

Deixe seu comentário
Seu nome por favor

Mais vistos