sexta-feira, setembro 18, 2026
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Setembro Amarelo reforça prevenção ao suicídio, mas cuidado deve ocorrer o ano todo

Professor de Psicologia da UMC destaca importância da escuta, do acolhimento e da construção de redes de apoio para quem enfrenta sofrimento emocional

A campanha Setembro Amarelo amplia o debate sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida. No entanto, o cuidado com a saúde mental deve permanecer durante todo o ano. A avaliação é de Rodolfo Mendonça Pereira, professor do curso de Psicologia da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC).

Segundo o especialista, a campanha ajuda a quebrar tabus, reduzir estigmas e incentivar a busca por ajuda. Ao mesmo tempo, famílias, escolas, empresas, serviços de saúde e políticas públicas precisam manter ações permanentes de prevenção.

“O suicídio é um fenômeno complexo e multifatorial, que não acontece por uma única causa e, portanto, não possui uma só forma de prevenção. Precisamos considerar aspectos psicológicos, sociais, econômicos, culturais, relacionais e as próprias condições de acesso ao cuidado”, explica Pereira.

Para o professor, reconhecer o sofrimento não representa fraqueza. Pelo contrário, pode ser o primeiro passo para buscar apoio e iniciar o cuidado.

Sinais de sofrimento exigem atenção

Um dos principais mitos relacionados ao tema, segundo Pereira, é acreditar que todas as pessoas apresentam sinais claros antes de uma tentativa ou morte por suicídio.

Nem sempre esses sinais são perceptíveis. Por isso, familiares e pessoas próximas não devem esperar uma situação de crise para levar o sofrimento emocional a sério.

Falas de desesperança, isolamento social e perda de interesse por atividades que antes eram importantes podem indicar sofrimento. Entretanto, o especialista ressalta que esses comportamentos não permitem um diagnóstico isolado.

“Uma pessoa pode apresentar alguns deles e não estar em risco de suicídio, assim como alguém em sofrimento grave pode não apresentar sinais evidentes”, afirma.

Escuta e acolhimento fazem parte da prevenção

Quando alguém enfrenta um período de sofrimento intenso, a aproximação pode representar um passo importante. Demonstrar disponibilidade para ouvir e mostrar que a pessoa não precisa enfrentar a situação sozinha também fazem parte do cuidado.

Além disso, o acompanhamento psicológico pode ajudar antes mesmo de uma crise. A psicoterapia contribui para compreender experiências, identificar fatores que intensificam o sofrimento e desenvolver recursos para enfrentar situações difíceis.

“Prevenção não precisa começar somente quando a pessoa está em uma situação de crise. Cuidar da saúde mental, fortalecer vínculos, ampliar as possibilidades de pedir ajuda e construir redes de apoio também são formas de prevenção”, destaca Pereira.

Dependendo das necessidades de cada pessoa, outros profissionais e serviços de saúde também podem participar do acompanhamento. Dessa forma, é possível construir uma rede de cuidado mais ampla.

Onde buscar ajuda

A Unidade Básica de Saúde (UBS) pode ser uma das portas de entrada para quem busca atendimento e acompanhamento em saúde mental.

Em situações de emergência ou risco imediato, a orientação é procurar um serviço de urgência ou acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), pelo telefone 192.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) também oferece apoio emocional gratuito e atendimento 24 horas por dia pelo número 188.

Para Pereira, falar sobre prevenção ao suicídio significa ampliar o debate sobre cuidado, pertencimento e acesso ao apoio.

“Falar sobre prevenção do suicídio é falar, antes de tudo, sobre cuidado com a vida, algo que se constrói cotidianamente”, conclui o professor.

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