O governo dos Estados Unidos anunciou nesta terça-feira (2) uma proposta para aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos importados de países que, segundo as autoridades americanas, não fiscalizam adequadamente a entrada de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Entre os países citados está o Brasil.
Apesar das acusações sobre o trabalho forçado na pecuária brasileira, o governo americano manteve a carne bovina fora da lista de produtos que poderão receber a nova taxação.
Trabalho forçado na pecuária brasileira aparece em relatório dos EUA
A investigação conduzida pelo governo americano concluiu que 60 países não adotam medidas consideradas suficientes para impedir a comercialização de produtos ligados ao trabalho forçado.
O relatório dedica um capítulo específico ao setor pecuário brasileiro. No documento, as autoridades americanas citam pesquisas independentes e registros que apontam casos de trabalho forçado na produção de gado.
Além disso, o governo dos Estados Unidos utiliza informações da chamada “Lista Suja” do trabalho escravo e da relação TVPRA para justificar a inclusão do Brasil na investigação.
Relatório destaca crescimento das exportações brasileiras
Além das acusações, o documento destaca o avanço das exportações brasileiras de carne bovina congelada nos últimos anos.
Segundo os dados apresentados, o Brasil praticamente dobrou o volume exportado para os mercados analisados entre 2015 e 2025. No mesmo período, os exportadores americanos ampliaram suas vendas em apenas 21%.
Os Estados Unidos também chamam atenção para o mercado chinês. O Brasil elevou sua participação nas importações chinesas de carne bovina congelada de 38% para 53% entre 2021 e 2025. Enquanto isso, os americanos reduziram sua fatia de mercado de 6% para 2%.
Carne bovina fica fora da nova tarifa
Mesmo após apresentar críticas ao setor pecuário brasileiro, o governo americano excluiu diversos tipos de carnes congeladas da proposta tarifária.
A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) confirmou que a medida não atingirá a carne bovina. No entanto, a entidade preferiu não comentar as acusações neste momento.
Até a última atualização da reportagem, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) não havia divulgado posicionamento oficial.
Debate sobre competitividade e fiscalização ganha força
Especialistas avaliam que a decisão de manter a carne bovina fora da tarifa reforça a importância estratégica do produto para o comércio internacional. Ao mesmo tempo, as acusações ampliam o debate sobre rastreabilidade, fiscalização trabalhista e sustentabilidade no campo.
Embora reconheça outros fatores que influenciam a competitividade entre os países, o governo americano afirma que uma proibição mais rigorosa de produtos ligados ao trabalho forçado poderia aumentar as exportações dos Estados Unidos.
O tema deve permanecer em discussão nos próximos meses. Afinal, o relatório reacendeu o debate internacional sobre o trabalho forçado na pecuária brasileira e seus possíveis impactos no comércio global.

