Na recepção da clínica, Adelaide permanecia extática, abraçada a um envelope que ocultava o resultado de seu diagnóstico. No rosto, estampava preocupação. Melancólica, organizava forças para não derramar lágrimas.
O ambiente pouco cooperava. Expressões de dor, tristeza, preocupações e incertezas eram visíveis nas feições das pessoas que também aguardavam consulta.
A cada minuto aumentava a angústia. A ansiedade crescia e a expressão facial evidenciava o desespero. Algumas lágrimas surgiram. O relógio parecia parar no tempo. Sua vez nunca chegava.
A agonia aumentava ao perceber que ninguém a via. Parecia invisível. Sentia-se impotente, fragilizada pela incerteza do diagnóstico que a qualquer momento seria revelado.
Nesse momento, passou por Adelaide a copeira da clínica e percebeu a aflição da paciente. Perguntou se estava tudo bem. Adelaide sentiu-se levemente acolhida, pois a sensação de invisibilidade já havia sido superada. A copeira lhe ofereceu um café, servido em uma pequena xícara.
A paciente recebeu o mimo com tamanha satisfação que até esqueceu momentaneamente o tormento que a acometia. Desvinculou o pensamento do temor do diagnóstico e concentrou-se no gesto empático da funcionária. A partir de então, passou a expressar maior serenidade em seu rosto.
Eis a pergunta: o que de fato a acalmou? O café?
Apesar de a bebida ser algo maravilhoso, o que consolou Adelaide foi o gesto da funcionária, o acolhimento. O simples ato de perceber sua angústia e lhe oferecer uma palavra e um café. Não precisava de muito. O simples tornou-se mais do que suficiente.
Quantas pessoas almejam atenção, uma simples palavra, um singelo sorriso, um conselho ou um abraço? A tecnologia permite diálogo com pessoas a milhares de quilômetros. Mas quantas vezes esquecemos daqueles que cruzam nosso caminho?
Devemos desenvolver essa percepção e essa empatia. Não podemos solucionar todos os problemas das pessoas, mas podemos acalentar o coração de quem sofre. Às vezes, aqueles que vivem momentos amargos precisam apenas de uma palavra ou de um simples gesto para mudar seu estado emocional.
Isso não custa nada. Temos o potencial de fazer muito utilizando pouco. Não percamos as oportunidades de fazer a diferença.

