quinta-feira, junho 25, 2026
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Tags escondidas são usadas para rastrear mulheres em SP e prática pode configurar crime de stalking

O uso de dispositivos de rastreamento escondidos em carros, bolsas, mochilas e até em pertences de crianças tem sido utilizado para monitorar e perseguir mulheres em São Paulo. A prática, revelada em reportagem da Folha de S.Paulo, pode configurar o crime de stalking, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP).

Os equipamentos, conhecidos como “tags”, possuem tamanho reduzido, custam menos de R$ 100 e permitem acompanhar deslocamentos em tempo real sem que a vítima perceba. Além disso, especialistas e investigadores têm identificado um aumento nos relatos de mulheres que descobriram estar sendo monitoradas por meio desses dispositivos.

Crime de stalking pode ser aplicado em casos de rastreamento clandestino

De acordo com a SSP, o uso oculto de dispositivos de rastreamento pode se enquadrar no artigo 147-A do Código Penal, que trata do crime de stalking.

A legislação considera perseguição qualquer conduta repetitiva que ameace a integridade física ou psicológica da vítima, restrinja sua liberdade ou invada sua privacidade. Dessa forma, o monitoramento clandestino da rotina de uma pessoa pode caracterizar o delito.

A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa. No entanto, a punição pode ser ampliada em situações específicas, como quando a vítima é mulher.

Casos de stalking registram crescimento em São Paulo

Segundo a SSP, os registros de perseguição na 1ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), localizada no bairro do Cambuci, na capital paulista, cresceram no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2025.

Embora não existam estatísticas oficiais sobre o uso de tags para monitoramento ilegal, muitos desses casos acabam sendo registrados como crime de stalking.

Além disso, autoridades destacam que a facilidade de compra desses dispositivos e a popularização da tecnologia têm contribuído para o surgimento de novas formas de perseguição.

Rede de proteção às mulheres é ampliada

A Secretaria da Segurança Pública informou que mantém políticas públicas voltadas à proteção das mulheres e ao combate à violência de gênero. Atualmente, São Paulo conta com 144 Delegacias de Defesa da Mulher e 220 salas especializadas para atendimento às vítimas.

Além disso, a Cabine Lilás, instalada no Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), já realizou mais de 29,6 mil atendimentos até maio deste ano, entre orientações, registros e intervenções policiais.

A SSP também destacou o aplicativo SP Mulher Segura, que reúne ferramentas de geolocalização, monitoramento de agressores e botão do pânico. Atualmente, a plataforma possui mais de 61 mil usuárias ativas.

O que é o crime de stalking?

O crime de stalking foi incorporado ao Código Penal brasileiro em 2021. A legislação prevê punição para quem perseguir alguém de forma reiterada, causando medo, restringindo sua liberdade ou invadindo sua privacidade.

Portanto, práticas como monitoramento indevido, vigilância constante, envio excessivo de mensagens e rastreamento por dispositivos eletrônicos podem configurar o delito quando ocorrem de maneira repetitiva e sem consentimento.

Por fim, especialistas orientam que vítimas de perseguição procurem imediatamente uma delegacia e preservem provas que possam auxiliar nas investigações.

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