
Há matérias que informam. Outras fazem refletir. Mas existem aquelas que carregam um propósito maior: alcançar quem já não encontra forças para pedir ajuda. É por isso que escolhi escrever sobre violência doméstica.
Como colunista, acredito que as palavras têm o poder de romper o silêncio. Elas atravessam portas fechadas, chegam a lares onde a dor é escondida e podem despertar em uma mulher a esperança de que sua história não precisa terminar no medo.
A violência doméstica raramente começa com um tapa. Muitas vezes, ela surge de maneira silenciosa, disfarçada em palavras que diminuem, no controle sobre a roupa, o dinheiro, as amizades, os sonhos e até sobre a liberdade de existir.
Aos poucos, a vítima pode passar a acreditar que perdeu seu valor, que a culpa é sua ou que ninguém acreditará nela.
Mas eu quero dizer a cada mulher que estiver lendo esta coluna: você não está sozinha.
Você tem direitos. Você tem proteção garantida por lei. Você merece viver sem medo, sem humilhação e sem violência.
Conhecer seus direitos é o primeiro passo para romper o ciclo da violência. A Lei Maria da Penha oferece mecanismos de proteção, como medidas protetivas de urgência, afastamento do agressor e acesso à rede de atendimento.
Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública, Ministério Público, assistência social e atendimento psicológico fazem parte dessa rede de apoio. Em situações de risco imediato, ligar para o 190 pode salvar uma vida.
Mas esta coluna não é apenas para quem sofre violência.
Ela também é para você que conhece uma mulher que mudou o jeito de sorrir. Para quem percebeu que ela se afastou da família, dos amigos ou vive justificando atitudes do companheiro.
É para quem pode oferecer uma escuta sem julgamentos e orientar sobre os caminhos para buscar ajuda.
Muitas mulheres não precisam que alguém resolva seus problemas. Elas precisam que alguém acredite nelas.
Como colunista, escrevo porque acredito que a informação transforma. Escrevo porque sei que uma única frase pode ser a coragem que faltava para alguém pedir ajuda. Escrevo porque me recuso a aceitar que o medo tenha a última palavra.
O que espero de cada leitor é simples, mas profundamente necessário: que esta leitura não termine ao fechar a página.
Que ela continue nas conversas dentro de casa, nas empresas, nas escolas, nas igrejas e nos projetos sociais. Que cada pessoa compreenda que combater a violência doméstica não é responsabilidade apenas das vítimas ou das autoridades. É um compromisso de todos nós.
Se esta coluna tocar o coração de uma mulher e mostrar que existe um caminho de proteção, ela terá cumprido sua missão.
Se despertar em alguém a coragem de acolher, orientar ou denunciar uma violência, então cada palavra aqui escrita terá valido a pena.
Porque nenhuma mulher nasceu para viver com medo.
Ela nasceu para viver com dignidade, respeito, liberdade e voz.
Por Andrineia Gomes
Colunista – Jornal Lógica
