segunda-feira, agosto 17, 2026
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Com China respondendo por um quarto das importações brasileiras, PMEs enfrentam novo desafio: diferenciar ou perder margem

Empresas que importam diretamente da China precisam investir em diferenciação, desenvolvimento de produtos e construção de marcas para manter a competitividade

As importações brasileiras provenientes da China cresceram 27,1% em junho, na comparação com o mesmo mês de 2025. Além disso, o país asiático movimentou US$ 7,8 bilhões no período, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

No primeiro semestre de 2026, as compras brasileiras da China somaram US$ 38,5 bilhões. Assim, o valor representa um avanço de 8% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Além disso, a China respondeu por cerca de um quarto das importações brasileiras em 2025, segundo levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China. Nesse cenário, pequenos e médios empresários também passaram a acessar diretamente fornecedores chineses.

Entretanto, esse movimento traz um novo desafio. Quando diferentes empresas compram produtos semelhantes dos mesmos fornecedores, a importação direta deixa de representar, sozinha, uma vantagem competitiva.

Acesso ao fornecedor não é suficiente

Para Bruno Homero, CEO da DNVB Brands e fundador da Missão Importação China, muitos empresários ainda não perceberam essa mudança no mercado. Segundo ele, o acesso ao fornecedor representa apenas o primeiro passo.

“O maior erro do empresário brasileiro não foi demorar para chegar à China. Foi achar que chegar já era o suficiente”, afirma.

De acordo com Homero, empresas que acessam os mesmos fornecedores costumam escolher produtos semelhantes. Depois disso, elas chegam ao mercado brasileiro e disputam clientes principalmente pelo preço.

Como consequência, algumas categorias passam por um processo acelerado de commoditização. Com isso, as empresas enfrentam redução das margens, menor poder de negociação e mais dificuldade para fidelizar consumidores.

“Quando diferentes empresários acessam os mesmos fornecedores e colocam essas mercadorias no mercado sem estratégia de diferenciação, o produto vira commodity. A empresa perde margem, poder de negociação e relevância”, explica.

China como plataforma de negócios

Diante desse cenário, Homero defende uma mudança na forma como os empresários enxergam o mercado chinês. Para ele, a China pode funcionar como uma plataforma para desenvolver produtos, pesquisar tendências e construir marcas.

Dessa forma, a estratégia não deve se limitar à busca por produtos de baixo custo. Em vez disso, o empresário precisa identificar oportunidades e adaptar suas soluções às necessidades do consumidor brasileiro.

Um exemplo vem da Born Active, empresa do segmento de home fitness. Em vez de apenas escolher equipamentos disponíveis nos catálogos chineses, a companhia desenvolveu produtos compactos para o perfil do consumidor brasileiro.

Além disso, a empresa trabalhou o design, a embalagem e a proposta de valor dos produtos para o mercado nacional. Como resultado, alcançou R$ 10 milhões em faturamento em um segmento no qual muitos concorrentes disputam espaço com produtos semelhantes.

Estratégia também faz diferença no atacado

A Bralo seguiu uma estratégia semelhante no atacado de utilidades domésticas e produtos para animais de estimação. Nesse caso, a empresa optou por não montar um catálogo genérico.

Em vez disso, construiu um portfólio direcionado aos canais em que pretendia atuar. Consequentemente, chegou a R$ 3 milhões em faturamento e conquistou contratos de fornecimento com grandes redes varejistas do Distrito Federal.

Nos dois casos, portanto, o diferencial não esteve apenas no acesso aos fornecedores chineses. Na prática, a estratégia esteve na decisão sobre quais produtos desenvolver, como apresentá-los e para quem vendê-los.

“A China não é um atalho. É uma plataforma. E a plataforma não define direção: quem define é o empresário. O que não se copia é o que você decide construir quando chega lá”, conclui Homero.

Sobre a DNVB Brands

A DNVB Brands é uma empresa brasileira voltada ao desenvolvimento e à operação de marcas próprias, com atuação nos modelos direct-to-consumer, e-commerce e varejo.

Além disso, a companhia trabalha na construção de marcas escaláveis. Para isso, busca integrar controle da cadeia produtiva, eficiência operacional e estratégias de crescimento sustentável no mercado nacional.

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