segunda-feira, agosto 17, 2026
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Super El Niño pode estar entre os mais intensos já registrados

Cientistas acompanham a formação de um possível Super El Niño, fenômeno climático que pode se tornar um dos mais intensos já registrados. As projeções indicam que o evento pode provocar mudanças importantes nos padrões de chuva e temperatura em várias regiões do planeta.

No Brasil, pesquisadores alertam para o risco de temperaturas acima da média, períodos de seca e aumento das condições favoráveis a incêndios. Além disso, os efeitos do fenômeno podem continuar durante o primeiro semestre de 2027.

Como o El Niño se forma

Em condições normais, correntes frias sobem pela costa do Peru e levam nutrientes para a superfície do oceano. Ao mesmo tempo, os ventos alísios empurram águas mais quentes em direção à Indonésia.

Durante o El Niño, esses ventos perdem força. Como consequência, a água quente se desloca para o leste do Pacífico e altera a circulação atmosférica.

Assim, um fenômeno que começa no Oceano Pacífico consegue influenciar o clima em regiões muito distantes.

El Niño já provocou grandes impactos

Os cientistas conhecem o El Niño há séculos. O nome surgiu porque pescadores da costa do Peru percebiam o aquecimento das águas do Pacífico próximo ao período do Natal.

Entretanto, a ciência nem sempre conseguiu prever a intensidade dos eventos.

Entre 1982 e 1983, um dos El Niños mais fortes registrados até então provocou impactos em diferentes partes do mundo. No Nordeste brasileiro, a seca prejudicou lavouras. Em Santa Catarina, por outro lado, fortes chuvas provocaram enchentes, mortes e grandes danos à infraestrutura.

Diante desses impactos, pesquisadores ampliaram o monitoramento do Oceano Pacífico.

O cientista Michael McPhaden liderou uma rede de boias espalhadas pelo oceano. Atualmente, esses equipamentos enviam dados por satélite e permitem acompanhar, em tempo real, informações sobre temperatura e ventos.

Cavernas revelam pistas sobre o clima do passado

Além dos equipamentos modernos, pesquisadores também analisam registros naturais para compreender o comportamento do clima.

Em cavernas da Mata Atlântica, por exemplo, estalagmites guardam informações acumuladas durante milhares de anos. As formações crescem lentamente conforme a água atravessa as rochas e deposita minerais.

Desse modo, cada camada pode registrar mudanças nas condições climáticas.

Os pesquisadores também analisam sedimentos deixados por enchentes. Quando a água sobe e depois recua, pequenas camadas de material permanecem nas formações rochosas.

Uma das estalagmites estudadas pelos cientistas reúne aproximadamente 2.300 anos de registros. Outros estudos semelhantes já identificaram centenas de eventos extremos ao longo de mais de sete mil anos.

Super El Niño pode ganhar força

As informações preservadas nas cavernas ajudam os pesquisadores a comparar o cenário atual com eventos do passado. Ao mesmo tempo, satélites, boias e modelos matemáticos permitem acompanhar a evolução do fenômeno.

As projeções atuais apontam uma alta probabilidade de o El Niño atingir intensidade muito forte.

O cenário preocupa porque o planeta já enfrenta temperaturas elevadas em razão das mudanças climáticas. Segundo pesquisadores, 2026 pode entrar para a lista dos anos mais quentes já registrados.

No Brasil, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) ampliou a capacidade do supercomputador utilizado nas previsões meteorológicas. Além disso, o órgão pretende aumentar ainda mais essa capacidade nos próximos anos.

Segundo os especialistas, os modelos precisam de atualizações constantes porque o clima atual apresenta características diferentes das observadas no passado.

O pico do fenômeno deve ocorrer em dezembro. Contudo, os efeitos podem continuar durante os primeiros meses de 2027.

Calor e seca preocupam no Brasil

As projeções apontam temperaturas acima da média em grande parte do território brasileiro. Por isso, ondas de calor prolongadas preocupam principalmente idosos e outras populações vulneráveis.

Na Amazônia, a combinação de calor e redução das chuvas pode aumentar o risco de incêndios.

Entretanto, pesquisadores destacam que o fogo na região depende principalmente da ação humana. A vegetação seca aumenta a facilidade de propagação, mas uma fonte de ignição continua sendo necessária para iniciar a maioria das queimadas.

Fenômeno também afeta outros países

Os possíveis efeitos do Super El Niño não se limitam ao Brasil.

Na Indonésia, a redução das chuvas pode favorecer incêndios florestais. Em algumas áreas, pesquisadores já registram aumento das queimadas e ações de resgate de animais ameaçados.

Na China, por outro lado, enchentes provocaram alagamentos em diferentes regiões.

Na América do Sul, fortes nevascas também afetaram rotas importantes nos Andes e provocaram interrupções no transporte.

Além dos impactos ambientais, os eventos climáticos extremos podem afetar a produção de alimentos. Consequentemente, problemas simultâneos em grandes regiões produtoras podem provocar escassez, aumento de preços e prejuízos econômicos.

Tecnologia ajuda a prevenir deslizamentos

O monitoramento também ganhou importância na prevenção de deslizamentos de terra.

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participaram do mapeamento de mais de 17 mil deslizamentos registrados após as chuvas de 2024.

Agora, equipes utilizam drones com sensores para identificar sinais de instabilidade no terreno, inclusive em áreas cobertas por vegetação.

Em uma propriedade rural, um inclinômetro monitora movimentações do solo e envia alertas por SMS para a Defesa Civil e os bombeiros quando identifica alterações acima dos parâmetros estabelecidos.

Dessa forma, os equipamentos podem ajudar as autoridades a agir antes que um deslizamento aconteça.

Monitoramento pode reduzir riscos

Para os pesquisadores, tecnologia e informação precisam caminhar juntas. Além dos sensores e modelos meteorológicos, a população deve conhecer os sinais que indicam possíveis riscos.

Assim, moradores podem reconhecer rachaduras, movimentações do solo e outras alterações antes de um desastre.

O avanço do monitoramento permite que cientistas acompanhem melhor o Super El Niño e seus possíveis impactos. Entretanto, a prevenção continua dependendo também da preparação das comunidades e da capacidade das autoridades de agir rapidamente diante de eventos extremos.

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