
A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) voltou a chamar a atenção após o diagnóstico do influenciador Lito Sousa, conhecido pelo canal Aviões e Músicas.
A doença é rara, provoca uma rápida deterioração neurológica e ainda não tem cura. Além disso, os primeiros sintomas podem se confundir com sinais de outras condições, dificultando a identificação do problema.
Em Marília (SP), um caso registrado em 2021 levou o professor e pesquisador da Unesp Vitor Engrácia Valenti a aprofundar os estudos sobre a enfermidade. Já em Jundiaí (SP), uma família acompanhou a evolução da doença em 2002.
Sintomas podem dificultar o diagnóstico
Segundo Vitor Engrácia Valenti, alguns sintomas iniciais da Doença de Creutzfeldt-Jakob podem confundir os médicos.
A alteração na fala aparece entre os sinais que podem surgir no começo do quadro. Além disso, alguns pacientes apresentam dificuldades motoras antes de desenvolver alterações cognitivas mais evidentes.
Por isso, o diagnóstico exige uma avaliação médica detalhada. Os profissionais analisam os sintomas e também utilizam exames específicos para investigar a doença.
Como a DCJ não possui cura, os médicos concentram o atendimento no controle dos sintomas e no conforto do paciente.
Nesse contexto, os cuidados paliativos ajudam a controlar a dor e outros desconfortos. Além disso, oferecem suporte emocional ao paciente e aos familiares.
Doença apresenta evolução rápida
A família de Sílvia Zampoli, de Jundiaí, acompanhou de perto a rápida progressão da doença.
Segundo Sílvia, o pai começou a apresentar sintomas em março de 2002. Na época, ele sentia tontura e dores musculares. Inicialmente, a família associou os sinais a uma possível labirintite.
Entretanto, os sintomas continuaram a evoluir. Por isso, a família procurou diferentes especialistas até conseguir uma avaliação mais precisa.
Em poucos meses, o quadro mudou completamente. O paciente passou a apresentar dificuldades para falar e também perdeu a capacidade de realizar tarefas simples do cotidiano.
Depois disso, a família levou o paciente ao Hospital Albert Einstein, em São Paulo. Os médicos confirmaram o diagnóstico de DCJ.
A partir daquele momento, os familiares concentraram os cuidados no conforto e na qualidade de vida do paciente.
Diagnóstico de Lito Sousa chama atenção
O diagnóstico de Lito Sousa trouxe novamente a Doença de Creutzfeldt-Jakob para o debate público.
A esposa do influenciador, Mila, divulgou a informação em um vídeo publicado nas redes sociais. Segundo ela, os médicos levaram tempo para chegar ao diagnóstico definitivo.
Além disso, Lito passou a apresentar perda de parte da capacidade motora.
A DCJ pertence ao grupo das doenças priônicas. Essas enfermidades surgem quando uma proteína chamada príon sofre uma alteração anormal.
A proteína alterada provoca danos progressivos no sistema nervoso. Com isso, os neurônios sofrem destruição e diferentes funções do organismo podem ser comprometidas.
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob?
A Doença de Creutzfeldt-Jakob provoca uma deterioração progressiva das funções neurológicas.
Entre os possíveis sintomas estão alterações na coordenação motora, dificuldade para caminhar, mudanças na fala, perda de memória e alterações comportamentais.
Além disso, o paciente pode apresentar comprometimento progressivo das funções cognitivas.
A evolução costuma ocorrer de forma rápida. Por isso, o acompanhamento médico ganha importância desde os primeiros sinais.
Dados mostram maior ocorrência entre pessoas mais velhas
Dados do Ministério da Saúde apontam maior concentração de casos entre pessoas mais velhas.
A faixa etária de 55 a 74 anos concentrou a maior parte das notificações analisadas. A idade média dos casos suspeitos ficou em torno dos 66 anos.
No entanto, a doença também pode atingir pessoas fora dessa faixa etária.
O levantamento analisou notificações de casos suspeitos registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan).
Entre os registros analisados, o Ministério da Saúde confirmou centenas de casos. São Paulo apresentou o maior número de confirmações, seguido por Minas Gerais, Paraná e Rio de Janeiro.
Notificações cresceram ao longo dos anos
As notificações da doença aumentaram ao longo da série histórica.
Entretanto, esse crescimento não significa necessariamente que a doença tenha se tornado mais frequente.
Segundo o Ministério da Saúde, a elevação também pode refletir melhorias na vigilância epidemiológica e na identificação dos casos.
Durante a pandemia de Covid-19, as notificações diminuíram. Depois disso, os registros voltaram a apresentar mudanças.
DCJ não é a mesma doença da ‘vaca louca’
A Doença de Creutzfeldt-Jakob esporádica não deve ser confundida com a variante da DCJ relacionada à encefalopatia espongiforme bovina, conhecida como doença da “vaca louca”.
As duas condições pertencem ao grupo das doenças priônicas. Porém, apresentam características e formas de transmissão diferentes.
A variante da DCJ ganhou relação com o consumo de produtos contaminados por agentes ligados à encefalopatia espongiforme bovina.
Já a forma esporádica da DCJ não apresenta essa relação.
Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil não registra casos da variante da Doença de Creutzfeldt-Jakob desde 2005.
Como os médicos diagnosticam a doença?
Os médicos consideram os sintomas e o histórico do paciente durante a investigação da Doença de Creutzfeldt-Jakob.
Além disso, a equipe pode solicitar exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia, e também o eletroencefalograma.
Outro recurso é o exame RT-QuIC, realizado a partir do líquido cefalorraquidiano. O teste apresenta alta especificidade e pode ajudar os médicos a confirmar casos suspeitos.
Atualmente, nenhum tratamento consegue interromper ou reverter a evolução da DCJ.
Por isso, os profissionais concentram os cuidados no controle dos sintomas, na prevenção de complicações e no conforto do paciente.
Da mesma forma, o acompanhamento da família também representa uma parte importante do atendimento, especialmente diante da rápida evolução da doença.
