
Iniciativa oferece tratamento gratuito pelo SUS e conta com acompanhamento de profissionais de diferentes áreas
O Programa de Combate ao Fumo em Arujá já ajudou cerca de 265 moradores a buscar o fim do vício desde 2025. A iniciativa faz parte do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), coordenado pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA).
O atendimento é gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Em Arujá, o programa conta com a parceria da Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Saúde.
Uma das ações é a realização de palestras sobre os malefícios do cigarro. Em um dos encontros, o médico Dario Silva de Oliveira apresentou objetos que simulam órgãos contaminados pelo tabaco. Ele também levou maços de cigarros com mensagens de alerta, recipientes com alcatrão e uma caveira caracterizada como fumante.
“Hoje você me acende, amanhã eu te apago”, destacou o médico durante a atividade.
A palestra ocorreu no Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) II, localizado na rua Maria de Lourdes Victorino, 5, no Parque Rodrigo Barreto.
Tratamento reúne diferentes profissionais
Além de Dario Oliveira, a equipe do programa conta com a médica clínica geral Cristina Pracchia Roberto e o assistente social Carlos Beserra Barreto.
O programa é divulgado semanalmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) de Arujá. No entanto, os atendimentos são realizados no CAPS II do Barreto.
Para participar, não é necessário agendamento. O interessado pode procurar diretamente o CAPS II ou pedir encaminhamento na UBS mais próxima de sua residência.
Após a adesão, o participante deve assistir à palestra. Os encontros ocorrem todas as terças-feiras, às 15h, no CAPS II.
O tratamento conta com acompanhamento multidisciplinar. A equipe reúne profissionais de Clínica Geral, Psicologia, Psiquiatria e Assistência Social.
Dessa forma, cada caso é avaliado individualmente. Os pacientes que apresentam maior dificuldade podem ser encaminhados para avaliação psiquiátrica.
Quando necessário, o médico pode indicar medicamentos para auxiliar no controle do tabagismo. Também existe a possibilidade de utilização de adesivos de nicotina. O tratamento é ajustado conforme a evolução de cada participante.
Em casos mais leves, a força de vontade e a disciplina podem ser suficientes para interromper o consumo de cigarros.
Programa atende 20 pessoas por turma
Cada turma reúne até 20 participantes. O acompanhamento ocorre durante três meses.
Após esse período, quem apresentar uma recaída pode retornar ao programa. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, a taxa de sucesso para o abandono do vício supera 60%.
O atendimento não se limita ao cigarro convencional. De acordo com o médico Dario Oliveira, a iniciativa também aborda o consumo de álcool e outras substâncias.
O trabalho inclui ainda orientações sobre maconha, drogas sintéticas, cigarros eletrônicos e narguilés. Os chamados “vapes” têm despertado preocupação, principalmente pelo interesse entre os jovens.
Médico alerta para início precoce do vício
Durante a palestra, Dario Oliveira contou casos atendidos ao longo de sua atuação. Um deles envolve um rapaz que começou a fumar aos cinco anos de idade.
Segundo o médico, o jovem teve contato com o cigarro por influência do avô. A criança costumava ajudá-lo a acender cigarros de palha.
“Ele começou com uma tragada, depois outra e, quando foi ver, já havia fumado metade do cigarro de palha. Dali para a frente, começou o vício”, relatou.
O médico ressaltou que os exemplos dentro de casa podem influenciar o comportamento das crianças. Por isso, pais, irmãos e outros familiares têm papel importante na prevenção.
Dario também relatou o caso de uma mulher de 29 anos atendida pelo programa. Ela começou a fumar muito jovem e chegou a consumir dois maços por dia.
Segundo o médico, a paciente perdeu todos os dentes antes dos 30 anos. Ela precisou investir cerca de R$ 40 mil em implantes dentários.
“Então, é só destruição. Cada cigarro fumado são 14 minutos de vida a menos. Isso sem falar no câncer, que acomete muitos fumantes”, afirmou.
O médico também destacou os impactos do tabagismo na saúde pública. Segundo ele, os gastos relacionados às doenças provocadas pelo cigarro representam um grande desafio para o sistema de saúde.
Participantes relatam experiências
A palestra também despertou o interesse de pessoas que desejam abandonar o cigarro. É o caso de Ezequiel Formagi, de 68 anos.
Ele contou que começou a fumar aos 12 anos. Agora, pretende reduzir o consumo até conseguir parar.
“Já faz um tempo que estou diminuindo. Comecei com 12 anos de idade e já está na hora de reduzir o fumo até parar”, comentou.
Juscilene Brito dos Santos também participou da atividade. Ela conseguiu abandonar o cigarro há seis anos.
A moradora começou a fumar aos 14 anos. Segundo ela, a motivação veio principalmente dos filhos.
“Não tinha mais ninguém para cuidar deles, então, eu resolvi lutar. Tenho 37 anos e tinha começado a fumar com 14 anos. Consegui parar porque tive força e opinião e, com a ajuda dos médicos e da igreja, me libertei do vício”, comemorou.
Como participar do programa
Quem deseja parar de fumar pode procurar a UBS mais próxima ou o CAPS II de Arujá.
O serviço funciona na rua Maria de Lourdes Victorino, 5, no Parque Rodrigo Barreto. Para mais informações, o telefone é 4655-1550.
As palestras são abertas ao público e não exigem agendamento. Os encontros acontecem todas as terças-feiras, a partir das 15h.
A iniciativa reforça a importância de buscar apoio profissional para quem deseja abandonar o tabagismo. Além disso, o acompanhamento especializado pode ajudar o participante a enfrentar as dificuldades durante o processo.
