
A reforma tributária para empresas deixou de ser apenas um debate e passou a exigir mudanças práticas na gestão. Com a regulamentação do novo sistema e o avanço da transição, companhias precisam revisar processos, sistemas, contratos e planejamento financeiro.
Segundo Altair Heitor, contador, psicólogo, especialista em gestão tributária para o agronegócio e CFO da Palin & Martins, as empresas precisam começar a adaptação desde já.
“A reforma não é só mudança de imposto, é mudança de estratégia. Quem não se adaptar rápido perde competitividade”, afirma.
A implementação completa do novo modelo seguirá durante os próximos anos. Entretanto, as empresas já precisam preparar suas estruturas para conviver com as regras atuais e as novas exigências.
Reforma tributária exige mudanças em toda a empresa
Um dos principais desafios está em tratar a reforma como um assunto que envolve apenas os departamentos fiscal, contábil ou jurídico. Na prática, as mudanças podem alcançar diferentes áreas da empresa.
Segundo Altair, a reforma pode afetar precificação, fornecedores, contratos, tecnologia, fluxo de caixa e decisões de expansão.
Dessa forma, financeiro, fiscal, comercial, tecnologia e suprimentos precisam trabalhar de maneira integrada. Além disso, sistemas e processos internos devem receber atenção para reduzir erros durante a transição.
A substituição gradual de tributos como PIS, Cofins, ICMS, ISS e parte do IPI por CBS, IBS e Imposto Seletivo também altera a dinâmica de créditos e da apuração tributária.
Por isso, empresas com controles descentralizados ou pouca integração entre sistemas podem enfrentar mais dificuldades. Falhas de parametrização, classificação de operações e documentação podem gerar problemas fiscais e financeiros.
Fluxo de caixa também entra na discussão
Além da parte operacional, a transição pode afetar diretamente o planejamento financeiro. Mudanças no aproveitamento de créditos e na formação de preços podem alterar margens e a previsão de receitas e despesas.
Para Altair, alguns problemas podem permanecer ocultos por um período. Uma empresa pode acreditar que está em conformidade e, ainda assim, carregar riscos ou deixar de aproveitar créditos tributários permitidos pela legislação.
Nesse cenário, organização fiscal e governança passam a ter papel estratégico. Empresas que anteciparem ajustes tendem a ter mais condições de identificar problemas e adaptar suas operações.
No agronegócio, o desafio pode ser ainda maior. A complexidade das cadeias produtivas se soma à variação de custos, às condições de crédito e à pressão sobre a rentabilidade.
Assim, uma transição sem planejamento pode afetar decisões estratégicas e comprometer recursos destinados ao capital de giro.
Período de transição exige planejamento
A reforma tributária prevê uma transição gradual. Por isso, as empresas têm um período para adaptar sistemas, processos e equipes às novas regras.
Entretanto, deixar as mudanças para o último momento pode aumentar custos e dificultar a correção de eventuais problemas.
“O período de transição existe justamente para permitir ajustes estruturados. Ignorar esse momento significa abrir espaço para perda de eficiência, aumento de risco e redução de competitividade”, afirma Altair.
Dessa maneira, o planejamento tributário passa a fazer parte das decisões estratégicas das empresas. Mais do que acompanhar alterações na legislação, os gestores precisam avaliar como as novas regras podem afetar cada operação.
Sobre Altair Heitor
Altair Heitor é contador, psicólogo e especialista em gestão tributária para o agronegócio. Com mais de 22 anos de experiência, é formado em Ciências Contábeis pela Faculdade Dom Pedro II (SRES) e em Psicologia pela UNORP.
Além disso, possui MBA em Gestão Financeira, Controladoria, Auditoria e Compliance pela FGV. Atualmente, atua como CFO da Palin & Martins, onde lidera projetos de recuperação de créditos tributários, compliance fiscal e reestruturação estratégica.
O especialista também ministra mentorias e treinamentos técnicos voltados ao setor do agronegócio.
Sobre a Palin & Martins
Fundada em São José do Rio Preto (SP), a Palin & Martins atua na gestão tributária para o agronegócio em todo o território nacional.
A consultoria trabalha com recuperação de créditos de ICMS, conformidade fiscal e reestruturação estratégica para produtores rurais, empresas do agronegócio e exportadores.
Sob a liderança de Altair Heitor e da advogada e psicóloga Jéssica Palin Martins, a empresa atua na identificação e recuperação de créditos tributários.
Além disso, a consultoria oferece mentorias e treinamentos para empresários e profissionais do setor.
