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De mulher para Mulher – Falas de PLPs

Transformando conhecimento em poder

Sou Lígia Galupo, tenho 44 anos, sou graduada em Serviço Social e carrego comigo uma trajetória marcada por desafios, reconstruções e, principalmente, propósito. Sou mãe de três filhos — Renan, de 17 anos; Rafael, de 15; e Raul, de 11 — que são a base da minha existência e a força que me impulsiona diariamente a buscar um viver mais digno, consciente e transformador.

Minha história também é atravessada por rupturas significativas. A separação de um casamento de 20 anos, no qual eu acreditava existir solidez, não foi apenas o fim de um relacionamento, mas um marco de consciência. Em um dos momentos mais delicados da minha vida, diante da suspeita de um caroço na mama, precisei de apoio. Foi justamente ali que percebi o afastamento, o soltar das mãos que antes deveriam sustentar. Essa experiência, embora dolorosa, foi reveladora. Ela me colocou frente a frente com a realidade de muitas mulheres que vivenciam o abandono, a negligência emocional e a fragilização dos vínculos em momentos de vulnerabilidade.

Foi no campo da prática profissional, durante meu estágio no Centro de Referência Especializado de Assistência Social, que minha vivência pessoal encontrou eco nas histórias que eu escutava. No atendimento às mulheres em situação de violência, eu não apenas acolhia — eu me reconhecia. Identifiquei, nas entrelinhas dos relatos, que muitas das situações que eu julgava como naturais ou suportáveis faziam parte de um ciclo de violência silenciosa que também me atravessava. Esse processo de escuta qualificada e reflexão crítica foi essencial para minha transformação pessoal e profissional.

Tive o privilégio de ser impactada pela atuação da assistente social Janaína Bueno, que me apresentou ao projeto das Promotoras Legais Populares (PLPs). Foi um divisor de águas na minha trajetória. Ao ingressar no curso, mergulhei em uma formação que articula conhecimento jurídico, sociopolítico e emancipatório, voltado ao fortalecimento da autonomia das mulheres e ao enfrentamento das múltiplas expressões da violência de gênero.

O curso de PLPs não apenas ampliou meu repertório técnico, mas também fortaleceu minha consciência. Compreendi, de forma mais aprofundada, as estruturas que sustentam as desigualdades e aprendi estratégias concretas de orientação, acolhimento e encaminhamento para mulheres em situação de violência doméstica. Mais do que aprender, eu me reconstruí.

Hoje, tenho a honra de fazer parte desse projeto como coordenadora de núcleo das PLPs e do “Mulheres e sua Voz”. Expresso minha profunda gratidão por essa oportunidade, que me permite exercer uma atuação atravessada por empatia, conhecimento técnico e compromisso ético. Transformei minha dor em instrumento de propósito. Minha história deixou de ser apenas minha; ela se tornou ponte para alcançar outras mulheres, oferecendo escuta, orientação e, sobretudo, a possibilidade de recomeço.

Ser Lígia Galupo, hoje, é ser reconstrução, sensibilidade e voz ativa na defesa dos direitos das mulheres. É acreditar todos os dias que, mesmo diante das dores, a vida encontra formas de florescer — e que nenhuma mulher está sozinha. Juntas, somos capazes de reescrever histórias.

Mulheres têm o direito de participar ativamente dos mais diversos espaços de debate, tomando decisões que influenciam diretamente o futuro de suas vidas. Quem quiser participar do curso ou obter mais informações pode procurar a ONG Elas Por Elas. O novo endereço das PLPs é: Rua Gato Cinzento, nº 511, apartamento 62 A, Vila Urupês, Suzano (SP).

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