As negociações entre Irã e EUA enfrentam um novo momento de tensão após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificar como “totalmente inaceitáveis” as exigências apresentadas por Teerã para encerrar a guerra no Oriente Médio. O governo iraniano, por outro lado, afirmou nesta segunda-feira (11) que sua contraproposta é “legítima e generosa”.
O novo impasse diplomático aumenta a incerteza sobre o futuro do cessar-fogo firmado entre os países em abril e também gera reflexos no mercado internacional de petróleo.
Negociações entre Irã e EUA travam após críticas de Trump
No domingo (10), Trump reagiu publicamente às condições impostas pelo Irã para encerrar o conflito. Em publicação feita na rede Truth Social, o presidente norte-americano afirmou que rejeita completamente os termos apresentados pelo governo iraniano.
Segundo a imprensa dos Estados Unidos, o Irã exige soberania total sobre o Estreito de Ormuz, além da suspensão das sanções econômicas e garantias de segurança regional.
Enquanto isso, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmail Baghaei, declarou que a proposta apresentada por Teerã busca o fim definitivo da guerra e a estabilização da região.
De acordo com Baghaei, o Irã também solicita a liberação de ativos financeiros congelados e o encerramento do bloqueio naval imposto pelos EUA.
Exigências do Irã para encerrar a guerra
Entre os principais pontos defendidos pelo governo iraniano estão:
Segurança regional e soberania
- Fim imediato da guerra em todas as frentes;
- Garantias formais contra novos ataques;
- Reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz;
- Segurança regional envolvendo também o Líbano.
Economia e sanções
- Suspensão temporária das sanções econômicas;
- Liberação de ativos iranianos bloqueados;
- Indenizações pelos danos causados durante o conflito.
Questão nuclear
O Irã aceita limitar temporariamente o enriquecimento de urânio, porém rejeita desmontar suas instalações nucleares.
Além disso, Teerã exige garantias de devolução do material nuclear caso os Estados Unidos abandonem o acordo futuramente.
EUA mantêm pressão sobre programa nuclear iraniano
Os Estados Unidos continuam defendendo medidas rígidas contra o programa nuclear iraniano. Inicialmente, Washington queria o encerramento total do enriquecimento de urânio.
No entanto, após o agravamento do conflito, o governo norte-americano flexibilizou parte da proposta e passou a exigir a suspensão das atividades nucleares por 20 anos.
Além disso, os EUA querem:
- Supervisão internacional no Estreito de Ormuz;
- Limitação da produção de mísseis iranianos;
- Fim do apoio financeiro a grupos armados como Hamas e Hezbollah.
O governo iraniano rejeitou parte dessas condições, principalmente as relacionadas ao setor militar.
Petróleo sobe após novo impasse diplomático
O avanço das tensões entre os dois países voltou a impactar o mercado internacional nesta segunda-feira. A possibilidade de fracasso das negociações entre Irã e EUA elevou a preocupação global sobre o abastecimento de petróleo.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais importantes do mundo para o transporte da commodity. Por isso, qualquer ameaça à navegação na região costuma gerar forte reação econômica.
Contexto do conflito
A guerra no Oriente Médio teve início em 28 de fevereiro, após ataques realizados por Israel e pelos Estados Unidos contra o Irã. Em abril, os países anunciaram um cessar-fogo temporário para tentar construir um acordo definitivo de paz.
Entretanto, o novo choque diplomático entre Washington e Teerã amplia novamente a instabilidade internacional.

