A interrogação sempre foi — e sempre será — a verdadeira mola propulsora da inovação; não por acaso, sua forma lembra a de uma mola: “?”. Sem a interrogação, não se alcançam os frutos do conhecimento. Uma mente aguda abriga sempre uma infinidade de perguntas à espera de resposta.
Por outro lado, de nada vale perscrutar o mundo com indagações pertinentes se estas não se converterem em assertivas e, portanto, em afirmações assinaladas pelo ponto de exclamação, cuja retidão simbólica não admite tergiversações: “!”.
A curva do ponto de interrogação parece nos desviar do centro, levando-nos pelos caminhos sinuosos da busca da verdade; mas, uma vez alcançado esse desiderato, tudo se endireita, se apruma e se esclarece.
Tanto a interrogação quanto a exclamação trazem, ao final, um ponto isolado, como a sugerir que nenhuma verdade é absoluta. Há entre ambas uma solução de continuidade — e é precisamente nesse intervalo que se sustenta a incessante busca pelo verdadeiro.
Mas o que é a verdade? Talvez seja a afirmação que se impõe como incontestável até o momento em que uma razão nova, mais objetiva e mais ampla, venha contradizê-la, corrigi-la ou completá-la.
Tome-se, por exemplo, o átomo, durante muito tempo concebido como a menor partícula da matéria capaz de conservar suas propriedades. Assim permaneceu por séculos, até que a investigação científica revelasse a existência de partículas ainda menores. O nome subsistiu, mas o conhecimento se ampliou: ao átomo somaram-se elétrons, nêutrons e tantas outras estruturas que aprofundaram nossa compreensão do mundo físico.
Eis aí uma verdade milenar revista pela força de novos conhecimentos. A mola do aprendizado jamais se distende por completo; ao contrário, permanece em tensão criadora, exigindo a formulação de novos paradigmas e novas diretrizes.
Observe-se, ainda, o caso dos polos magnéticos da Terra. Convencionamos chamá-los de norte e sul em razão do comportamento da agulha da bússola. Trata-se, porém, de uma convenção prática: a extremidade designada como norte é atraída por força oposta. Ainda assim, pouco importa a aparente contradição, porque a finalidade da bússola não é resolver um impasse semântico, mas oferecer direção e orientação.
Do mesmo modo, pouco importa se as guias de uma rua são pintadas alternadamente de branco e preto ou de preto e branco; o que verdadeiramente importa é o padrão que demarca o limite do calçamento.
O ponto a que pretendo chegar é simples: convenções como direita e esquerda, acima e abaixo, atrás e à frente servem para balizar o entendimento humano e sustentar a razão neste mundo tridimensional. São parâmetros que nos permitem evoluir por meio de perguntas e afirmações e compreender que a evolução é inegociável: quem está vivo está em permanente transformação.
Nestes tempos em que tanto se fala em futebol, sobretudo em razão da Copa do Mundo, convém perguntar qual é a real importância desses acontecimentos. São importantes? Sem dúvida. Mas em que medida?
Adiante, teremos eleições estaduais e federais. Renovaremos dois terços do Senado Federal, instituição incumbida de resguardar os direitos dos estados-membros e de desempenhar papel essencial no sistema de freios e contrapesos da República. É indispensável, portanto, perguntar quem são esses candidatos, pois sobre eles recairá parcela significativa do futuro do Brasil — sem falar nos demais cargos que igualmente estarão em disputa.
A eleição não é competição esportiva, em que um vence e outro perde, nem tampouco jogo de azar. É escolha de ideias, de projetos e de rumos, na qual a vontade da maioria se afirma soberana e todos se submetem ao veredito das urnas. Ao fim, todos ganham ou perdem; mas quem profere o julgamento definitivo é a história.
Que Deus dê pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão.
