
Os juros altos impulsionam consórcios em todo o país e têm levado consumidores a repensarem a forma de adquirir imóveis e veículos. Mesmo com o início do ciclo de redução da taxa Selic, o crédito continua caro, tornando o financiamento tradicional menos atrativo para muitas famílias.
Diante desse cenário, cresce a procura por alternativas que ofereçam maior previsibilidade financeira e contribuam para a construção de patrimônio no longo prazo.
Juros altos impulsionam consórcios e mudam comportamento do consumidor
Segundo especialistas do setor, o aumento da cautela financeira tem influenciado diretamente as decisões de compra dos brasileiros. Se antes a prioridade era adquirir bens rapidamente, agora muitos consumidores analisam com mais atenção o custo total da operação.
Para Carlos Fuzinelli, especialista em expansão de negócios e cofundador da FVL Consórcios, o mercado passa por uma transformação importante.
“O brasileiro passou a fazer escolhas mais calculadas. Durante muito tempo, a prioridade era antecipar a aquisição, mesmo pagando caro por isso. Hoje existe uma preocupação maior com previsibilidade, organização financeira e preservação da capacidade de investimento”, afirma.
Além disso, a busca por soluções que permitam planejamento financeiro sem o peso dos juros elevados tem fortalecido o mercado de consórcios.
Queda da Selic ainda não reduz custo do crédito
O debate ganha força em meio ao atual ciclo monetário do país. Em abril, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano, registrando o segundo corte consecutivo após um longo período de aperto monetário.
Entretanto, embora a redução represente um sinal positivo para a economia, o impacto no crédito ao consumidor ainda é limitado. Por isso, financiamentos para imóveis e veículos continuam exigindo maior comprometimento da renda familiar.
Segundo especialistas, a queda gradual da taxa básica de juros não altera imediatamente as condições oferecidas ao consumidor final, principalmente nas operações de longo prazo.
Mercado de consórcios registra crescimento recorde
A mudança no comportamento dos consumidores também aparece nos números do setor. Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o sistema encerrou 2025 com recorde histórico de 5,16 milhões de cotas comercializadas.
O volume representa crescimento de 15% em comparação ao ano anterior. Além disso, o setor movimentou R$ 500,27 bilhões em créditos negociados.
Já nos primeiros meses de 2026, o número de participantes ativos chegou a 12,85 milhões, estabelecendo um novo recorde para a modalidade.
Dessa forma, o consórcio consolida sua posição como uma alternativa relevante para consumidores que desejam adquirir bens sem recorrer ao financiamento tradicional.
Construção de patrimônio ganha protagonismo
Outro fator que explica o crescimento da modalidade é a maior preocupação com a formação de patrimônio. Segundo Carlos Fuzinelli, o consumidor passou a considerar não apenas a velocidade da compra, mas também a sustentabilidade financeira da decisão.
“Existe uma percepção mais madura sobre aquisição patrimonial. O foco deixou de ser apenas a velocidade da compra e passou a considerar a sustentabilidade financeira. Isso explica por que o consórcio ganhou espaço entre consumidores que antes recorreriam diretamente ao financiamento”, destaca.
Esse movimento pode ser observado tanto no mercado imobiliário quanto no setor automotivo. Enquanto famílias buscam alternativas para evitar parcelas elevadas na compra da casa própria, compradores de veículos procuram reduzir o impacto financeiro das aquisições.
Tendência deve continuar em 2026
Mesmo com a expectativa de novos cortes na Selic, especialistas acreditam que a procura por consórcios deverá permanecer aquecida ao longo de 2026.
Segundo Fuzinelli, os consumidores estão mais atentos ao planejamento financeiro e ao custo total das operações. Assim, a decisão de compra passa a considerar fatores que vão além da simples antecipação da aquisição.
“A redução da Selic ajuda, mas não altera imediatamente a realidade do crédito na ponta. O consumidor aprendeu a olhar com mais atenção para o custo total da aquisição, e isso deve continuar influenciando decisões patrimoniais ao longo deste ano”, conclui.
Sobre a FVL Consórcios
Fundada em 2019, a FVL Consórcios atua nacionalmente na comercialização de consórcios e na oferta de soluções voltadas ao planejamento financeiro e patrimonial. A empresa também opera por meio de um modelo estruturado de franquias e projeta ampliar sua presença em todo o país até o final de 2026.
Com foco em crescimento sustentável, a companhia busca fortalecer sua atuação no mercado de consórcios, oferecendo alternativas para aquisição de bens e formação de patrimônio de médio e longo prazo.

